Exclusivo: suspeito de beneficiar Odebrecht em acordo nos EUA também reduziu multa
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Exclusivo: suspeito de beneficiar Odebrecht em acordo nos EUA também reduziu multa

DOJ de Trump pode reabrir caso Odebrecht
DOJ de Trump pode reabrir caso Odebrecht

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Por Claudio Dantas

Suspeito de beneficiar a Odebrecht no acordo de leniência fechado em 2016, o procurador Andre Weismann, indicado pela gestão de Barack Obama, também foi responsável pela redução da multa a ser paga pela empreiteira às autoridades dos EUA, Brasil e Suíça. Sob a gestão de Weismann, que permaneceu no cargo no início da primeira administração Trump, o DOJ concordou em reduzir de US$ 260 milhões para US$ 93 milhões a multa aplicada à Odebrecht. O desconto de 65% ocorreu apenas um ano depois do acordo de confissão de culpa, homologado pela Justiça.

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O total global da multa também foi reduzido de US$ 3,2 bilhões para US$ 2,6 bilhões. Desse montante, US$ 2,39 bilhões deveriam ser pagos ao governo brasileiro e outros US$ 116 milhões ao suíço. No caso do Brasil, o valor foi parcelado em 32 anos, mas logo suspenso por Dias Toffoli.

Identificado nos emails de Marcelo Odebrecht como “o amigo do amigo do meu pai”, o ministro do STF nunca se considerou impedido de julgar o caso e ainda anulou todas as provas relacionadas ao chamado Setor de Operações Estruturadas, o departamento da propina da empreiteira.

Alerta: Trump pode reabrir caso Odebrecht nos EUA

Weismann agora é alvo de investigação interna no próprio DOJ por suspeita de abuso de poder. Ele também liderou a investigação de Robert Mueller sobre suposta interferência russa na eleição de Trump em 2016; e que se revelou uma maquinação dos democratas para desgastar o republicano.

Na semana passada, como revelado por este site, o novo procurador assistente do DOJ, Edward Martin, voltou a cobrar explicações a Weismann sobre a não identificação, no acordo da Odebrecht, dos contratos onde houve corrupção. O modelo adotado é considerado uma “anomalia”, em relação a outros do DOJ.

A suspeita de favorecimento da empreiteira pode levar o DOJ a reabrir o caso e até anular o acordo. O caso, que envolveu o pagamento de US$ 788 milhões em propina, é considerado o maior escândalo de corrupção da história e voltou a ganhar relevância após a Prefeitura de Lima representar contra a companhia brasileira no Tribunal Distrital Federal em Washington, em busca de indenização no âmbito do consórcio Rutas de Lima.

Prefeitura de Lima busca indenização por corrupção de consórcio liderado pela Odebrecht

Prefeitura de Lima busca indenização por corrupção de consórcio liderado pela OdebrechtPROBLEMAS NO PERU

Na petição, são levantados importantes fatos envolvendo o modus operandi da Odebrecht, como transferências de contratos tóxicos para fundos de investimento internacionais, a fim de se eximir de responsabilidade criminal.

A Prefeitura diz que esse padrão pode ser observado tanto no Peru quanto no Brasil, onde a Odebrecht “vendeu unidades de negócios importantes para a Brookfield por centavos de dólar”. Também diz que Brookfield e Rutas de Lima foram excluídas das sanções do acordo.

Ao invés de ser indenizada, a Prefeitura de Lima está sendo obrigada a pagar US$ 200 milhões ao consórcio Rutas de Lima, após decisão arbitral endossada pela polêmica juíza Ana Reyes, indicada por Biden ao Tribunal Distrital.

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