Exclusivo: MPF quer reabrir ação que questiona favorecimento da Braskem por Lula
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Exclusivo: MPF quer reabrir ação que questiona favorecimento da Braskem por Lula

MPF acolhe recurso que questiona ação de Lula para beneficiar Odebrecht na Braskem
MPF acolhe recurso que questiona ação de Lula para beneficiar Odebrecht na Braskem

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Por Claudio Dantas

O Ministério Público Federal acolheu parcialmente recurso do empresário Caio Gorentzvaig para reabertura de ação popular que questiona a transferência de ativos da Petroquímica Triunfo para a Braskem, no segundo mandato de Lula. Segundo o empresário, o governo petista estatizou e depois alienou irregularmente a refinaria de sua família ao grupo Odebrecht, favorecendo a criação de um monopólio sob controle privado.

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Há anos, Gorentzvaig tenta sem sucesso anular o negócio. A última negativa veio justamente com o arquivamento antecipado da ação, pela 16a. Vara Federal do Rio, que nem sequer abriu o caso para instrução. O analisar o recurso do empresário, o procurador regional Rogério Nascimento acolheu a tese de cerceamento da defesa, recomendando a abertura da instrução “a fim de que se produza a prova”.

Segundo o procurador, é preciso garantir o acesso do empresário ao conteúdo do inquérito policial n.º 0220370-42.2022.8.19.0001.

“O apelante tem razão quanto à tese de que há cerceamento de defesa quando o juiz indefere a produção ou obtenção de prova requerida oportunamente e de modo justificado pela parte autora”, diz Nascimento.

A citada investigação, que teria o condão de comprovar os ilícitos alegados, seria um desdobramento de outro inquérito promovido no contexto da apuração de crimes atribuídos aos controladores e gestores da Odebrecht/Braskem.

Para o MPF, a prescrição inviabiliza a anulação do negócio, mas não impede a ação indenizatória.

“Compreende-se que o direito potestativo de obter a invalidação, seja subordinado à decadência, pela necessidade de ponderar-se a defesa da coisa pública e segurança jurídica, porém, a reparação do dano ao patrimônio, que traduz um direito coletivo de ver a lesão reparada, na essência um direito de crédito, nesse caso é, inclusive, imprescritível quando for resultado de ato doloso ou ferir o meio ambiente.”

Em sua manifestação, obtida em primeira mão por este site, o procurador diz que a “pretensão da reparação do dano causado pela ilegalidade lesiva questionada pelo autor popular reclama uma investigação sobre os fatos o que torna relevante e útil a produção e obtenção da prova plausivelmente reunida na investigação criminal sigilosa”.

“Ainda mais porque nesta situação concreta o autor popular não tem meios próprios para ter acesso ao conteúdo do que está sendo apurado na esfera criminal.”

LULA RÉU 

O procurador também quer que seja reconsiderada a decisão da primeira instância que excluiu Lula do polo passivo da ação. Segundo Nascimento, “há uma induvidosa atribuição de falta de dever de diligência em 2007 e em 2010 por parte do então e novamente hoje presidente da República, nos fatos narrados, com intenção deliberada de beneficiar o Grupo Odebrecht”.

Na ação, a defesa de Gorentzvaig alega que “tal operação foi apenas uma manobra feita à custa do dinheiro público para que, tão logo estivesse na posse de tais ativos petroquímicos, a Petrobras os entregasse, a preço vil, nas mãos da Braskem – pertencente ao Grupo Odebrecht -, que ficou nesta fase das mega-operações societárias elucidadas no fato relevante de 30/11/2007, com mais de 80% do mercado petroquímico nacional”.

 

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INFERNO ASTRAL?

Nesta semana, este site revelou que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, está revirando os arquivos relacionados ao acordo de leniência firmado com a Odebrecht e a Lava Jato, em 2016. Em carta enviada no último dia 24 de setembro, Edward Martin, procurador-assistente do DOJ, cobrou explicações de Andrew Weismann, seu antecessor no cargo, sobre o processo de negociação.

Martin é responsável por diferentes investigações sobre indícios de abuso de poder nas administrações democratas, suspeitas de instrumentalizarem agências governamentais, como DOJ, FBI e CIA para perseguir Trump e aliados. Ao reexaminar o caso ‘Estados Unidos x Odebrecht’, considerado o maior esquema de suborno estrangeiro da história, o procurador lança suspeitas sobre cláusulas do acordo supervisionado por Weissmann.

Segundo ele, o acordo de leniência agregou fatos por país, mas omitiu detalhes específicos dos contratos superfaturados, impedindo a reparação das vítimas. Martin cita como exemplo o projeto Rutas de Lima. A ex-prefeita Susana Villarán está sendo processada pelo recebimento de US$ 11 milhões das empreiteiras Odebrecht e OAS. Sua campanha foi tocada por Luis Favre e Valdemir Garreta, ligados ao PT.

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