O ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, relatou preocupação com a produção acelerada de documentos ligados a carteiras do Banco Master em conversa com Daniel Vorcaro.
Em mensagem enviada em 30 de junho de 2025, ele afirmou que cerca de 3 mil documentos foram produzidos de forma recente e apontou falta de informações sobre os contratos.
“Esses três mil documentos foram todos produzidos agora e são somente as CCBs do Master para o BRB. Não temos clareza do que aconteceu com o tomador original, da documentação da promotora para o cliente. Essa é uma documentação que já deveria existir”, escreveu.
Paulo Henrique foi preso durante a Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, sob suspeita de receber vantagens indevidas relacionadas à atuação em favor do Banco Master. A defesa afirma que a prisão é desnecessária.
Na época da troca de mensagens, o BRB aguardava posicionamento do Banco Central do Brasil sobre a aquisição do Master e já havia comprado cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito.
Em comunicações anteriores, o então presidente do BRB cobrou documentos essenciais para análise das operações, incluindo contratos com associações, auditorias e registros das cédulas de crédito.
“Amigo, precisamos dos documentos. A operação não vai sair sem eles. Estamos correndo um risco desnecessário. Na minha avaliação, as equipes deveriam ter feito isso ontem. Bacen está me perguntando do outro lado, se está tudo certo. Precisávamos ter recebido e concluído a análise hoje. A operação não tem mais condições de sair na primeira hora. Precisamos receber, revistar documentos, ter parecer jurídico interno…”, afirmou.
Em outro momento, ele disse que não havia possibilidade de novas operações sem regularização das pendências: “Zero chance”.
As investigações indicam que carteiras de crédito teriam sido estruturadas por empresa de fachada e repassadas ao BRB. O caso está sob apuração de órgãos de controle e do Banco Central.
A relação entre as instituições começou em 2024 e se intensificou no primeiro semestre de 2025. A tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB foi posteriormente barrada pelo Banco Central.
