Ex-presidente socialista é investigado por manter relação com menor de idade
O Ministério Público de Tarija, na Bolívia, apresentou nesta terça-feira (21) acusação formal contra o ex-presidente Evo Morales pelo crime de tráfico qualificado de pessoas.
O caso, que se arrasta há mais de um ano, atinge diretamente o líder do Movimento ao Socialismo (MAS) e representa um dos episódios mais graves envolvendo um ex-chefe de Estado no país.
A procuradora Sandra Gutiérrez afirmou que a acusação resulta de uma análise “minuciosa” das provas coletadas. Segundo ela, cabe agora ao juiz do caso encaminhar o processo ao tribunal competente, que deverá marcar a data do julgamento oral.
O caso começou a ser investigado em setembro do ano passado e avança mesmo diante das tentativas de pressão política dos aliados de Morales.
Em outubro de 2024, um mandado de prisão chegou a ser expedido contra o ex-presidente, medida confirmada por um tribunal de Tarija.
Desde então, Morales evita sair do Trópico de Cochabamba, reduto de sindicatos cocaleros que lhe garantem proteção e apoio político.
Em fevereiro deste ano, o ex-presidente foi declarado em rebeldia após faltar a duas audiências, alegando problemas de saúde.
O gesto foi interpretado como manobra para adiar o processo e escapar da Justiça. Mesmo assim, o Ministério Público manteve o andamento do caso e reiterou que seguirá o rito legal “sem interferências”.
Durante as investigações, grupos ligados ao MAS organizaram bloqueios e protestos em várias regiões do país para impedir uma eventual prisão.

Se condenado, Morales poderá perder seus direitos políticos e cumprir pena de prisão, o que representaria um golpe definitivo em seu projeto de retorno ao poder.
