Ministro poderá participar da Assembleia da ONU e reunião da OPAS em setembro
Os Estados Unidos concederam visto de entrada ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, após um mês de espera. A autorização elimina o risco de uma nova crise diplomática entre os governos de Lula e do presidente Donald Trump. O pedido havia sido protocolado em outubro pelo Itamaraty.
A negativa poderia aumentar o desgaste nas relações bilaterais, já marcadas pelas críticas da Casa Branca ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal. Trump tem dito que os processos contra o aliado são “perseguição política” e, nesse contexto, suspendeu vistos de autoridades brasileiras. No mês passado, a esposa e a filha de Padilha tiveram vistos revogados.
Padilha estava incluído na lista de restrições por sua atuação no programa Mais Médicos, que trouxe profissionais cubanos ao Brasil. Seu visto anterior havia expirado em 2024, e ele chegou a ficar proibido de solicitar nova autorização, o que poderia inviabilizar sua presença em compromissos internacionais.
Com a liberação, o ministro está autorizado a participar da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, e da reunião da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em Washington, ambas em setembro. Outros ministros, como Fernando Haddad (Fazenda) e Ricardo Lewandowski (Justiça), também tiveram vistos regularizados.
Mesmo com o visto em mãos, Padilha disse que sua prioridade é acompanhar no Congresso a votação da medida provisória “Agora Tem Especialistas”.
“Ainda não decidi se participarei, pois estou acompanhando a votação no Congresso Nacional. Por enquanto, minha dedicação é totalmente a essa pauta”, afirmou.
O ministro ironizou a polêmica: “Quanto à questão do visto, não estou nem aí. Vocês estão mais preocupados com o visto do que eu. Essa preocupação normalmente surge para quem deseja ir aos EUA; eu não quero. Só fica preocupado quem quer ir pra lá fazer lobby de traição à pátria como alguns estão fazendo”, disse, em referência ao deputado Eduardo Bolsonaro (SP).
Padilha informou ao presidente Lula que sua participação nos compromissos internacionais dependerá do andamento das votações no Legislativo.
