Operação gerou US$ 5 milhões para o regime e expôs dados militares sensíveis
O regime da Coreia do Norte tem se aproveitado da demanda global por profissionais de tecnologia e do crescimento do trabalho remoto para burlar sanções internacionais e infiltrar trabalhadores camuflados nos Estados Unidos e em outros países. A denúncia foi apresentada por promotores americanos nesta segunda-feira (30), que classificaram o esquema como uma ameaça “real e imediata”.
Segundo as autoridades, milhares de agentes norte-coreanos foram treinados para atuar como trabalhadores remotos, utilizando identidades falsas e roubadas para obter empregos em empresas legítimas.
O esquema teria rendido cerca de US$ 5 milhões ao regime comunista entre 2021 e 2024 e causou prejuízos estimados em US$ 3 milhões às companhias vítimas, além de expor informações sensíveis, incluindo dados relacionados a tecnologia militar.
A promotora federal Leah Foley, de Massachusetts, afirmou que os agentes infiltrados tinham como missão driblar as sanções impostas pelos EUA e pela ONU ao programa nuclear norte-coreano. As ações criminosas incluíam o roubo de dinheiro, dados confidenciais e o uso fraudulento da infraestrutura tecnológica das empresas que os contrataram remotamente.
De acordo com os promotores, cerca de 80 identidades americanas foram comprometidas por permitir a contratação dos falsos profissionais. Mais de 100 empresas, em diversos setores, teriam sido atingidas pela fraude.
O Departamento de Justiça e o FBI já haviam iniciado, no ano passado, uma força-tarefa para rastrear suspeitos de colaborar com os ciberoperadores norte-coreanos. Um relatório divulgado em abril pelo Google Threat Intelligence Group indicou que o esquema está se expandindo para territórios europeus, aumentando o nível de alerta internacional.
