Mas Rússia exige mudanças “radicais” antes de avançar nas negociações
O enviado especial dos Estados Unidos para a Ucrânia afirmou que um possível acordo para encerrar a guerra está “muito perto”, faltando resolver apenas dois pontos centrais. Moscou, porém, reagiu dizendo que as propostas americanas ainda precisam passar por mudanças “radicais”.
Trump, que tenta se consolidar como um presidente “pacificador”, tem tratado o fim da guerra, o conflito mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, como prioridade em sua política externa.
O que trava as negociações
A avaliação de que o acordo está nos “últimos 10 metros” foi feita por Keith Kellogg, enviado especial dos EUA, durante o Fórum de Defesa Nacional Reagan. Ele deixa o cargo em janeiro e disse que os pontos sensíveis hoje são:
o futuro do Donbas, região que engloba Donetsk e Luhansk;
o controle da usina nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa, ocupada pela Rússia.
Segundo Kellogg, se esses dois temas forem resolvidos, o restante das negociações tende a avançar rapidamente.
A guerra começou em 2022, após anos de tensão e confronto entre separatistas apoiados por Moscou e forças ucranianas no leste do país. Hoje, a Rússia controla parte do Donbas, mas a Ucrânia ainda mantém cerca de 5 mil km² sob seu domínio.
A maior parte da comunidade internacional reconhece toda a região como território ucraniano.

Pressão russa e impasse político
Após uma reunião de quatro horas no Kremlin com representantes ligados a Donald Trump, o enviado Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do ex-presidente, a Rússia sinalizou que o tema territorial continua sendo o ponto duro das conversas. O conselheiro de política externa Yuri Ushakov afirmou que Washington precisará fazer “alterações sérias” em seus documentos sobre o conflito, sem detalhar quais.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, já avisou que entregar o restante de Donetsk seria ilegal sem um referendo e poderia abrir caminho para novos avanços militares russos no futuro.
Zelenskiy afirmou ter tido uma conversa “longa e substancial” com Witkoff e Kushner no sábado. O Kremlin, porém, deixou claro que espera que Kushner lidere a condução das negociações para um eventual acordo.
