Esquema pode ter desviado R$ 12,2 bilhões, diz MPF
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Esquema pode ter desviado R$ 12,2 bilhões, diz MPF

Esquema pode ter desviado R$ 12,2 bilhões, diz MPF foto: Reprodução
Esquema pode ter desviado R$ 12,2 bilhões, diz MPF foto: Reprodução

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Por Redação

BRB e envolvidos negam irregularidades e afirmam seguir compliance

A venda de uma carteira de crédito de R$ 303 milhões do banco Master ao Banco de Brasília (BRB) levantou suspeitas no Ministério Público Federal (MPF) e acendeu um alerta no Banco Central (BC).

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A operação, realizada em dezembro de 2024, envolveu títulos gerados por uma empresa registrada em nome de uma atendente de lanchonete investigada por fraude com maquininha de cartão e que não possuía capacidade financeira, estrutura ou atividade compatível com o volume negociado.

Segundo o MPF, os documentos analisados apontam “indícios graves de fraude” e reforçam a hipótese de que operações entre as duas instituições financeiras vinham sendo executadas sem auditoria adequada.

O Master não comentou o caso. O BRB, em nota, afirmou que respeita o sigilo bancário, mas garantiu que suas operações seguem normas de mercado e passam por instâncias de governança internas.

Empresa usada na operação era fachada

A carteira repassada ao BRB foi adquirida pelo Master da The Pay Soluções de Pagamentos Ltda., empresa sem funcionários, com capital social de R$ 450 mil, contatos falsos registrados na Receita Federal e administrada por uma atendente de lanchonete que ganha R$ 1.486 por mês.

A mulher é investigada por desviar pagamentos com uma maquininha de cartão cujo nome imitava o da empresa onde trabalhava.

Esquema pode ter desviado R$ 12,2 bilhões, diz MPFfoto: Reprodução
Esquema pode ter desviado R$ 12,2 bilhões, diz MPF       foto: Reprodução

O BC, ao identificar inconsistências, passou a monitorar todas as transações entre Master e BRB. Dois meses depois, em fevereiro de 2025, o Master recomprou a carteira negociada com o banco brasiliense.

Após essa compensação, o BC informou que não realizou novos exames sobre esse lote específico.

Intertítulo Suspeitas se ampliam: operação pode chegar a R$ 12,2 bilhões

Ao aprofundar as apurações, o MPF e a Polícia Federal descobriram que a transação de 2024 era apenas parte de um esquema maior, que continuou operando em 2025.

Segundo o MPF, a investigação já identificou indícios de que carteiras de crédito inexistentes foram usadas para “socorrer financeiramente” o Master, que teria repassado ao BRB títulos sem lastro para gerar caixa.

O MPF afirma que, apenas entre janeiro e maio de 2025, R$ 12,2 bilhões foram transferidos ao Master por meio de operações que apresentam sinais de fraude.

Para justificar as cessões ao BC, o banco alegou que os créditos se originavam de duas associações de servidores da Bahia.

A auditoria, porém, revelou inconsistências nas movimentações e dispersão de CPFs que não condiziam com essas entidades.

Ao examinar uma amostra de 30 supostos tomadores de crédito, o BC concluiu que não havia correspondência entre documentos e fluxo financeiro, reforçando a possibilidade de que os contratos fossem fictícios.

Uma segunda amostra, levada pelo BRB, repetiu o padrão de inconsistências.

Tirreno: a empresa criada para sustentar o esquema

Após questionamentos, a titularidade das carteiras passou a ser atribuída à Tirreno, empresa criada no final de 2024 por um empresário que já havia registrado outras firmas semelhantes.

Para investigadores, trata se de uma “empresa de prateleira”, criada com o objetivo de viabilizar o repasse de títulos ao BRB.

Apesar de recém criada, a Tirreno ampliou o capital para R$ 30 milhões, passou a ter como diretor um ex funcionário do Master e formalizou mudanças societárias apenas depois do início das operações financeiras, o que chamou a atenção da PF.

O MPF destacou que documentos da parceria entre Master e Tirreno sequer estavam autenticados em cartório e que parte dos registros só foi formalizada meses após as transações.

Para os investigadores, o cuidado tardio reforça a suspeita de uma “engenharia contábil e financeira” para obter recursos rapidamente.

Diante dos indícios, a Polícia Federal deflagrou uma operação para prender o controlador do Master, Daniel Vorcaro, que foi detido no Aeroporto de Guarulhos enquanto se preparava para embarcar para os Emirados Árabes Unidos.

Vorcaro afirma que fazia a viagem para concluir a venda do banco a investidores liderados pelo Grupo Fictor.

O então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também foi afastado.

As defesas dos envolvidos negam irregularidades. O BRB reafirmou que segue normas de transparência e compliance.

Os advogados de Vorcaro classificaram a prisão como “desnecessária e ilegal” e recorreram ao Superior Tribunal de Justiça.

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