Dívidas sufocam e chega a 27,2% da renda de famílias - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Dívidas sufocam e chega a 27,2% da renda de famílias

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Por Redação

O peso das dívidas voltou a crescer no orçamento das famílias brasileiras, atingindo patamar semelhante ao registrado antes do lançamento do programa Desenrola, criado pelo governo Lula em 2023. Segundo dados do Banco Central, em fevereiro deste ano, 27,2% da renda familiar foi usada para pagar dívidas, o maior índice desde julho de 2023, quando o programa começou.

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Inimigos públicos

O baque sofrido na escalada no endividamento é puxada por dois fatores principais: o aumento da concessão de crédito no segundo semestre de 2024 e a alta agressiva da taxa básica de juros (Selic), que saltou de 10,5% para 14,75% ao ano. Essa elevação dos juros, a maior em quase 20 anos, impacta diretamente o custo das dívidas, tornando o crédito mais caro e inacessível.

Com os bancos restringindo a oferta de crédito, sobra para os mais vulneráveis o recurso a modalidades com juros abusivos, como o cheque especial e o rotativo do cartão. O resultado é o aumento da contratação de dívidas mais caras, comprometendo ainda mais o orçamento doméstico.

A inflação também pesa. Apesar da desaceleração em abril, o IPCA acumulado em 12 meses ficou em 5,53%, ultrapassando o teto da meta. Itens como alimentação e transporte continuam entre os que mais pressionam o bolso, atingindo em cheio as famílias mais pobres.

Por trás da crise

Esse é o caso de Maria Regina Cordeiro, aposentada de 72 anos, moradora de São João de Meriti (RJ). Viúva, ela contou ao Globo que sustenta sozinha a casa com uma filha autônoma, com a própria aposentadoria e a pensão do marido, que somam pouco mais de R$ 3 mil. Quase toda essa renda vai para contas fixas e prestações de empréstimos.

“Está tudo caro demais. Gás, água e alimentação. Tenho de bancar tudo sozinha. Tento me organizar, mas nem sempre consigo. Meus dois salários mínimos vão praticamente todos para pagar dívida”, contou Maria Regina, que ainda tenta reforçar a renda com um pequeno comércio no bairro.

Entre os gastos, ela lista despesas básicas como internet, gás, alimentação, seguros e até as contribuições previdenciárias da filha. Sua maior preocupação é evitar o cheque especial, cujos juros chegam aos 130% ao ano.

“Costumo sacar o dinheiro quando recebo, tenho a impressão de que tenho mais controle. Quando entro no especial, peço minha filha para fazer um Pix para sair dessa situação, mas nem sempre conseguimos.”

O fato é que o governo entrou numa batalha de expectativas, perdeu e agora o que se espera é o pagamento de um preço muito alto.

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