Endividamento atinge 81,6% das famílias brasileiras
Brasília, Terça, 14 de julho de 2026
Economia

Endividamento atinge 81,6% das famílias brasileiras

Pesquisa da CNC aponta estabilidade em relação a maio, mas mostra avanço no número de famílias com dívidas na comparação anual

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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Por Redação

O percentual de famílias brasileiras endividadas chegou a 81,6% em junho, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (14) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice ficou estável em relação ao mês anterior, mas permaneceu acima do registrado no mesmo período de 2025, quando 78,4% das famílias tinham algum tipo de dívida.

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A pesquisa também aponta que 29,9% dos consumidores estavam inadimplentes em junho, ou seja, tinham contas em atraso. O resultado representa uma leve alta em comparação com junho do ano passado, quando o percentual era de 29,5%, mas ficou praticamente estável frente ao mês anterior.

Apesar do nível elevado de endividamento, a CNC avalia que a interrupção da sequência de aumentos observada nos últimos meses indica uma desaceleração do avanço da inadimplência.

“A estabilização da inadimplência e a melhora dos prazos de pagamento em junho dão um respiro ao consumidor”, afirmou o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.

Segundo ele, a continuidade da recuperação depende também de uma redução dos juros.

“É essencial que a continuação dos efeitos do Desenrola caminhe lado a lado com a redução progressiva da taxa Selic pelo Copom”, declarou.

Cartão de crédito segue como principal dívida

O cartão de crédito continua sendo a principal modalidade utilizada pelas famílias para contratação de dívidas. Entre os consumidores endividados, 84,6% apontam o cartão como uma das principais fontes de financiamento do consumo.

A pesquisa mostra ainda uma mudança na percepção dos consumidores sobre o nível de comprometimento financeiro. O grupo que se considera “pouco endividado” aumentou de 33,3% para 34,2%, enquanto a parcela dos que se classificam como “muito endividados” passou de 17% para 17,2%.

Já o percentual de famílias que afirmam não ter condições de pagar as próprias dívidas caiu de 12,3% em maio para 12,2% em junho.

Menor tempo de atraso

Os dados da CNC indicam uma redução no período médio de atraso das contas pelo segundo mês consecutivo. Em junho, o prazo médio caiu para 64,8 dias, ante períodos superiores registrados anteriormente.

O comprometimento da renda familiar com o pagamento de parcelas permaneceu estável em 29,3%. Entre os endividados, 55,8% destinam entre 11% e 50% da renda mensal para quitar compromissos financeiros.

A proporção de famílias com dívidas contratadas por prazo superior a um ano também permaneceu estável, em 33,3%.

Cenário ainda preocupa

Mesmo com a estabilidade registrada em junho, a CNC projeta que o endividamento das famílias pode voltar a crescer nos próximos meses. A entidade cita como fatores de pressão o atual patamar da taxa Selic, o ritmo de redução dos juros e as incertezas econômicas.

Para Tadros, a manutenção de juros elevados dificulta a recuperação financeira dos consumidores.

“Sem o afrouxamento contínuo dos juros, o esforço das famílias para limpar o nome esbarra no encarecimento do crédito, travando a retomada do comércio”, afirmou.

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