Alvo de crescente disputa em Fortaleza, o multimilionário contrato de varrição urbana da capital cearense é administrado pela Secretaria de Conservação e Serviços Públicos, comandada por Francisco José de Abreu Machado, indicado para o cargo na cota do Republicanos.
Embora não tenha filiação partidária, as relações de Abreu Machado com a bancada do partido são conhecidas. Mas a imprensa local parece não ter interesse em explorá-las, pois exigiria expor a proximidade do secretário com o empresário Joel Campos de Oliveira Neto, dono da empresa Ecco Liberty, favorita para assumir a varrição municipal.
Joel Campos não é só filiado ao Republicanos, que bancou a nomeação de Abreu Machado, mas integra o diretório do partido no Ceará como segundo vogal; na companhia também da primeira-secretária, Cristiane Leitão, que vem a ser mulher do prefeito petista Evandro Leitão. A legenda no estado é presidida pelo ex-senador Chiquinho Feitosa.
É nesse contexto que se dá a pressão, denunciada por este site, pela substituição da Maciel Construções pela Ecco Liberty no consórcio MSM Ambiental — formado também pelas empresas Marquise Serviços Ambientais e Construtora Samaria. O contrato atual supera os R$ 350 milhões e poderia ser aditivado em março, quando está previsto seu vencimento.
Outra possibilidade seria o lançamento de um novo edital, com a formação de um novo consórcio, que também contaria com a presença inafastável da empresa de Joel Campos, chamado pelo secretário Abreu Machado de “nosso líder”. Cearense de origem, o empresário trocou a medicina pelos contratos públicos.
Gestão petista em Fortaleza mira contrato de 356 milhões para limpeza urbana
Nos últimos anos, conseguiu se estabelecer em Belo Horizonte e São José dos Campos, e agora tenta entrar em Fortaleza. Um de seus sócios, como revelou este site há dois dias, foi preso em outubro numa operação do Ministério Público e da Polícia Civil justamente contra esquema de fraude e corrupção em contratos de coleta de lixo.
Segundo relatório de investigação obtido pela reportagem, o empresário “foi identificado como um dos principais articuladores administrativos do esquema criminoso”. “Pedro Victor exerceu papel relevante no núcleo de comando e controle da fraude aos contratos de limpeza urbana no Município de São Gonçalo do Amarante.”
A reportagem tentou contato com o secretário Abreu Machado e enviou pedido de esclarecimento sobre a relação dele com o Republicanos e com Joel Campos, mas não houve resposta até o fechamento desta reportagem. O espaço permanece aberto.