DPU recorre contra decisão do STF que tornou Eduardo réu
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

DPU recorre contra decisão do STF que tornou Eduardo réu por coação

DPU - Eduardo Bolsonaro escapa de cassação no Conselho de Ética, mas ainda enfrenta três processos que podem levar à perda do mandato. Saiba os detalhes das investigações Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Por Gianlucca Gattai

Jornalista político e assuntos internacionais.

Segundo DPU, “Constituição não exclui o Poder Judiciário do debate público”

A Defensoria Pública da União (DPU) recorreu da decisão da 1ª Turma do STF que tornou Eduardo Bolsonaro (PL-SP) réu por “coação no curso do processo”. Segundo o órgão, críticas ao Judiciário são protegidas pela liberdade de expressão e imunidade parlamentar.

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De acordo com a Procuradora-Geral da República (PGR), o deputado federal e o jornalista Paulo Figueiredo, que moram nos EUA, atuaram junto ao governo Trump para impedir condenações na ação da suposta “trama golpista”.

“Todo o percurso estratégico relatado confirma o dolo específico de Eduardo Bolsonaro e de Paulo Figueiredo de instaurar clima de instabilidade e de temor, projetando sobre as autoridades brasileiras a perspectiva de represálias estrangeiras e sobre a população o espectro de um país isolado e escarnecido”, disse Gonet ao fazer a denúncia contra ambos.

“Apresentaram-se como patrocinadores dessas sanções, como seus articuladores e como as únicas pessoas capazes de desativá-las. Para a interrupção dos danos, objeto das ameaças, cobraram que não houvesse condenação criminal de Jair Bolsonaro na AP 2.668”.

Por unanimidade, em novembro, os ministros da Corte aceitaram a denúncia da PGR contra o parlamentar.

A DPU entrou no Supremo com “embargos de declaração”, recurso que pede esclarecimentos sobre omissões e contradições nos votos contra o réu na Corte. Como Eduardo está exilado nos EUA e não constituiu defesa própria no caso, o órgão ficou como responsável pela sua defesa.

No pedido ao STF, a DPU defendeu e rejeição da acusação da PGR e afirmou que críticas às decisões judiciais e às autoridades integram o debate democrático:

“A Constituição não exclui o Poder Judiciário do debate público. Magistrados, como todas as autoridades públicas, estão sujeitos a críticas no debate democrático. Criminalizar manifestações políticas sobre temas de interesse nacional, principalmente quando proferidas por um membro do Congresso Nacional, viola a liberdade de expressão e o pluralismo político. Nos termos em que redigida, a denúncia enquadra como crime condutas protegidas pela Constituição da República”

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