Júlia Lucy: dosimetria “chega como um remédio amargo”
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Júlia Lucy: dosimetria “chega como um remédio amargo”

Júlia Lucy - Dosimetria
Foto: Reprodução/YouTube @ClaudioDantasOficial

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Por Gianlucca Gattai

Jornalista político e assuntos internacionais.

“A gente sabe que são pessoas inocentes que estão presas”

O ALive desta quarta-feira (10) abordou a aprovação do PL da Dosimetria, que prevê redução de pena e não a anistia “ampla, geral e irrestrita” para os patriotas do 8 de Janeiro, Jair Bolsonaro (PL) e aliados do ex-presidente.

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Na visão de Júlia Lucy, que apresentou o programa de hoje, a dosimetria “chega como um remédio amargo” e “como um afago para centenas de presos que vão conseguir retornar mais cedo para suas casas”.

A cientista política destacou que Jair Bolsonaro autorizou, em um “ato de grandeza”, o senador e seu filho, Flávio Bolsonaro, a “autorizar o acordo em torno da dosimetria” ao invés da anistia.

“Esse acordo que chega com gosto amargo, a gente fica com um sentimento muito abalado com isso, porque a gente sabe que são pessoas inocentes que estão presas. Na realidade, o que todos nós queremos ver é a anulação de todo esse processo, porque a anistia serve para quem praticou crime, os anistiados de 1964, todos eles praticaram crimes, alguns mataram, outros invadiram propriedade privada. Agora, os presos do 8 de Janeiro são presos políticos, eles não cometeram crime, portanto nem a anistia é o correto para o caso deles, o caso deles é a anulação do processo”, afirmou Lucy.

Ela acrescentou que, apesar das limitações, se “celebra sim” a aprovação: “Hoje é um dia que traz sim um alívio. É o suficiente? É para parar a batalha, a luta? Não, de jeito nenhum, mas já traz um alívio”.

A apresentadora também criticou aqueles que se posicionam contra o PL da Dosimetria: “Eu acho que quem critica […] nunca foi preso, não tem um parente preso, não tem ideia que cada dia dentro do cárcere faz toda a diferença”.

“É muito fácil ficar nas redes sociais querendo lacrar, como a gente viu muitos políticos, a gente vê muitas pessoas ainda fazendo isso: ‘olha, nós não aceitaremos nada que seja menos que a anistia’. Claro, não é você que está preso, não é você que está comendo aquela comida, que está apanhando, que está dormindo no chão, que possivelmente está sendo estuprado, que está distante da sua família”.

“É fácil ficar acreditando em Papai Noel, porque eu falei aqui desde o princípio, a anistia ampla, geral e irrestrita jamais seria aprovada, só que tem gente que quer acreditar em lorota”, finalizou Lucy.

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