Edição enganosa de fala de Trump derruba cúpula da BBC
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Mundo

Edição enganosa de fala de Trump derruba cúpula da BBC

Diretores da BBC renunciam após escândalo sobre edição de fala de Donald Trump em documentário exibido antes das eleições de 2024. Crédito: Sebastiandoe5/Wikimedia Commons
Crédito: Sebastiandoe5/Wikimedia Commons

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Documentário suprimiu frases para insinuar que presidente americano incitou invasão do Capitólio

O diretor-geral da BBC, Tim Davie, e a presidente-executiva da BBC News, Deborah Turness, renunciaram neste fim de semana após a emissora britânica ser acusada de distorcer declarações de Donald Trump antes da invasão do Capitólio.

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“É um dia triste para a BBC”, afirmou o presidente da emissora pública, Samir Shah, em comunicado. Ele destacou que Davie foi “um excelente diretor-geral nos últimos cinco anos”, mas enfrentou “pressão persistente” que o levou à decisão.

O caso veio à tona após reportagem do jornal The Daily Telegraph, que apontou manipulação de trechos de um discurso de Trump feito em 6 de janeiro de 2021. A edição foi feita de forma a parecer que o presidente americano incitou a invasão.

No discurso original, Trump disse: “Vamos caminhar até ao Capitólio e vamos torcer por nossos corajosos senadores e membros do Congresso”. No discurso editado, a BBC juntou o trecho “Vamos caminhar até ao Capitólio” com “lutaremos como o diabo”.

A ministra britânica da Cultura, Lisa Nandy, classificou o caso como “extremamente grave” e convocou o presidente da BBC a prestar esclarecimentos no Parlamento.

Em mensagem interna, Davie reconheceu que “o debate atual em torno da informação da BBC contribuiu para a decisão” e afirmou que, embora a emissora “funcione bem no geral”, erros foram cometidos e “o diretor-geral deve assumir a responsabilidade”.

Deborah Turness também justificou sua saída afirmando que “a atual controvérsia em torno da reportagem Panorama sobre o Presidente Trump chegou a um ponto em que prejudica a BBC”.

A Casa Branca, por meio da porta-voz Karoline Leavitt, classificou a edição como “deliberadamente desonesta” e disse que o material continha “informações 100% falsas”.

Nos últimos meses, a BBC também havia sido criticada pelo órgão regulador Ofcom por violar regras de difusão em reportagem sobre Gaza, em que o narrador era filho de um dirigente do Hamas — relação omitida pela emissora.

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