A presença do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli em um evento patrocinado pelo Banco Master, apontada pela Polícia Federal como indício de proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro, também envolveu outras autoridades — entre elas o próprio diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. As informações foram reveladas pelo portal Poder360.
O encontro citado no relatório, o 10º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias, ocorreu entre 24 e 26 de abril de 2024, em Londres, com financiamento do banco investigado. Além do ministro, participaram representantes dos três Poderes, incluindo o ministro do STF Alexandre de Moraes.
O documento da Polícia Federal, com cerca de 200 páginas, foi entregue ao presidente da Corte, Luiz Edson Fachin. Após discussão interna, o tribunal rejeitou a suspeição do ministro e redistribuiu o processo para André Mendonça.
Embora mantido sob sigilo, o relatório apontou quatro fundamentos principais:
Eventos patrocinados — participação em encontros financiados pelo banco foi tratada como indicativo de relação pessoal.
Resort da família — investigadores citaram participação de investidor ligado ao banqueiro em empreendimento pertencente à família do magistrado; o ministro afirma não ter recebido recursos do empresário e diz que as operações foram declaradas.
Vínculo profissional indireto — a advogada Roberta Rangel, ex-esposa do ministro, atuou em escritório que teve o banqueiro como cliente antes do escândalo financeiro.
Mensagens — conversas sugeririam alinhamento de interesses, embora o voto final do magistrado tenha sido contrário ao pleito do empresário.
Toffoli relatava investigação ligada à tentativa de aquisição do Banco Master pelo banco estatal de Brasília e à operação policial que apura crimes financeiros. O caso chegou ao Supremo por envolver autoridades com foro privilegiado.
O ministro também determinou que novas diligências fossem previamente autorizadas pela Corte, entendimento baseado na possibilidade de investigados com prerrogativa de função.
