Para Júlia Lucy, “tudo que o sistema mais quer” é que direita continue “se curvando ao medo”
No programa ALive de hoje, a apresentadora Júlia Lucy e o analista Ary Alcântara comentaram a manifestação realizada ontem (18) em Brasília em apoio à liberdade de Jair Bolsonaro (PL) e à aprovação da anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro. Críticas ao Banco Master também foram feitas durante o ato.
Segundo Lucy, a direita brasileira, atualmente, “tem medo de protestar”, “ela tem medo de se manifestar”: “A gente sabe que há diversos presos políticos, exatamente porque estavam se manifestando e protestando”.
“E, claro, dentro de uma ditadura, basta você rotular as pessoas como terroristas, basta você imputar a elas a presunção, a intenção de prática de um crime, para que elas continuem presas, para que elas sejam condenadas”, acrescentou a cientista política. “Então, hoje, a direita brasileira está com medo”, afirmou a apresentadora do ALive.
“Eu estive presente [na manifestação de domingo] e várias pessoas relataram que outros parentes gostariam, seus parentes gostariam de estar ali presentes, mas decidiram não ir exatamente porque têm medo”.
“Se a gente continuar se curvando ao medo, é tudo que o sistema mais quer”, completou Lucy.
Ary disse que, morando há 60 anos em Brasília, “nunca assisti um conjunto de receios tão grande quanto eu tenho visto nesses últimos tempos”. O analista afirmou que nem “na época mais forte repressão do governo militar” viu tamanho receio em realizar manifestações.
“Os estudantes se manifestaram, antes e até depois do AI-5. Mas hoje eu vejo que as pessoas estão se policiando, estão com medo, porque a repressão não é aquela repressão que existia pontual”, afirmou. “Hoje as pessoas nem sabem por que estão sendo reprimidas”.
“Vão para a rua, se quiserem manifestar, se manifestem. Põe uma bandeira na janela do seu quarto, dê um telefonema com um amigo e comente de política, fale na mesa de domingo, se manifestem. Política é isto”, defendeu Ary.
“Política é a expressão do sentimento humano e é isso que produz desenvolvimento. É isso que produz harmonia entre as nações, entre as pessoas. O conversar, o manifestar, o dialogar. A repressão, o medo, o tribunal: isto não vale nada”, finalizou.
