Dino convoca audiência no STF sobre fiscalização da CVM após caso Master
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Dino convoca audiência no STF sobre fiscalização da CVM após caso Master

Ministro cita falhas e chama autoridades para discutir atuação no mercado financeiro

Flávio Dino votou pela condenação de cinco dos sete policiais militares que respondem por suposta omissão durante os atos antidemocráticos ocorridos em 8 de janeiro de 2023.
Foto: Rosinei Coutinho/STF

Compartilhe em

Foto do autor

Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Em meio ao escândalo do Banco Master e suspeitas sobre falhas na fiscalização, o ministro Flávio Dino, do STF, marcou audiência pública para discutir a capacidade de atuação da Comissão de Valores Mobiliários.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Na decisão, Dino afirmou que o crime organizado tem migrado para estruturas do sistema financeiro e do mercado de capitais.

“Investigações recentes […] indicam a utilização de estruturas típicas do mercado financeiro, como fundos de investimento, fintechs e empresas de fachada para a prática de lavagem de dinheiro, inclusive de recursos oriundos de corrupção. O caso do Banco Master […] ilustra a crescente dificuldade regulatória e de fiscalização”, escreveu.

O ministro também definiu a CVM como “entidade fundamental na prevenção e no combate a crimes envolvendo fundos de investimento”.

A audiência está marcada para 4 de maio, no STF, no âmbito de ação proposta pelo partido Novo.

A sigla questiona a destinação de recursos arrecadados pela CVM. Segundo o partido, entre 2022 e 2024, a autarquia arrecadou cerca de R$ 2,4 bilhões, sendo R$ 2,1 bilhões em taxas, enquanto o orçamento no período foi de R$ 670 milhões.

Dino apontou que os dados reforçam a discussão sobre proporcionalidade entre arrecadação e capacidade operacional do órgão.

O ministro também citou declarações do presidente interino da CVM, João Accioly, feitas no Senado.

“A CVM sabia [dos problemas] desde 2022, desde antes até, e não é que não fez nada. Ela fez vários processos, está fazendo. Alguns poderiam ser mais rápidos. Realmente, o pessoal trabalha além da capacidade máxima. E aí você vê que tem acúmulo de processos por pessoa e aquilo poderia ser mais rápido se tivesse mais gente”, afirmou.

A audiência deve reunir autoridades como o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo; o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Ricardo Saadi; e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues.

A CVM informou que criou grupo de trabalho para analisar o caso e propor mudanças em regulação, supervisão e governança.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade