Destituição do presidente do Peru após 4 meses é dura lição ao Brasil
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Destituição do presidente do Peru após 4 meses é dura lição ao Brasil

Artigo compara reação peruana à crise política com cenário brasileiro e questiona ausência de fiscalização efetiva dos poderes

Cristiano Caiado de Acioli compara a rápida destituição do presidente do Peru com o cenário brasileiro e questiona a falta de transparência e controle sobre Executivo e STF.

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Por Redação

Por Cristiano Caiado De Acioli

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Quatro meses. Foi o tempo que o Peru levou para lembrar que o poder não é um presente, mas um empréstimo com cláusulas de rescisão. A destituição de seu presidente da República, José Jerí, não é apenas um fato político vizinho; é um espelho desconfortável para o Brasil. Há um senso comum entre alguns brasileiros de que aquele país, de colonização espanhola, é atrasado, especialmente em relação ao Brasil — senso muito equivocado.

O povo peruano não admite, independentemente de lados políticos, que a transparência seja opcional. No país do carnaval, a conferência física do voto já havia sambado; recentemente, foi a pá de cal na imparcialidade da Justiça Eleitoral, que foi sambar na Sapucaí juntamente com o Lula. Foi uma confissão de que a democracia é só contra os adversários, que, por bem menos, foram perseguidos. A pergunta é: por que aceitamos que a transparência seja opcional?

Em sistemas maduros, a simples sombra de uma agenda nebulosa ou de encontros às portas fechadas faz o chão tremer. Lá, o poder é fiscalizado porque não é blindado. Aqui, o poder se sente blindado porque raramente é, de fato, fiscalizado. E, quando é fiscalizado, os fiscais são implacavelmente perseguidos, à revelia da lei, com o uso abusivo do aparato estatal, como foi o caso dos 129 milhões de reais à esposa do ministro Alexandre de Moraes. Por coincidência ou não, há notícia de que, em 2017, ele teria sido sabatinado informalmente, em um obscuro encontro com figuras de poder, em uma noitada em chalana no Lago Paranoá, em Brasília.

No Brasil, assistimos ao debate sobre agendas oficiais e critérios de responsabilidade esbarrar em uma barreira de baixa exigência. Quando o presidente Lula, ou qualquer autoridade de turno, é questionado, a discussão se perde em ruído, sem nunca chegar ao mecanismo de controle. É como se tivéssemos nos acostumado a ver o “jeitinho” institucional substituir o rigor da lei.

E o problema não para no Executivo. A ausência de freios reais sobre o Supremo Tribunal Federal é o sintoma final de uma democracia que parou no ato de votar e que, depois, em torque crescente, tem andado de ré. Hoje, ostenta características técnicas e fáticas de uma ditadura cada vez mais caricata, mas, ainda assim, faz o filme Luar sobre Parador parecer uma versão paradisíaca do que temos hoje no Brasil.

Democracia não é um evento que ocorre a cada quatro anos.
É a cobrança do dia seguinte.
É a agenda que não pode ter segredos.
É a consequência real para quem falha com o público.

O exemplo do Peru não é uma provocação aos políticos, mas um teste de DNA para a sociedade: instituições fortes não nascem prontas; elas são forçadas a funcionar por quem as paga e firmadas por funcionários públicos que são leais ao Estado, e não a psicopatas de toga esfomeados pelo dinheiro e poder.

A questão não é o que acontece no país vizinho. A questão é: até quando o brasileiro vai aceitar o papel de espectador do próprio destino?

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