Solange Salgado, do TRF-1, revogou a prisão do dono do Banco Master após histórico de investigações na Ajufer
A desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), revogou a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, detido quando tentava deixar o país. A magistrada havia mantido a prisão inicialmente, mas reconsiderou sua decisão e aplicou medidas cautelares.
Solange foi alvo de investigações durante sua gestão na Associação dos Juízes Federais da 1ª Região (Ajufer). Em 2010, auditoria interna determinada pela corregedora nacional Eliana Calmon identificou 45 empréstimos simulados junto à Fundação Habitacional do Exército (FHE/Poupex), somando cerca de R$ 6 milhões. Os contratos foram assinados por ex-presidentes da entidade, entre eles Moacir Ferreira Ramos, Solange Salgado, Charles Renaud e Hamilton Dantas, segundo apuração inicial do ICL.
Segundo a FHE, as operações resultaram em prejuízo superior a R$ 20 milhões. A auditoria apontou ainda o uso indevido de dados de magistrados, movimentações por terceiros e depósitos considerados suspeitos.

Em 2011, quarenta juízes federais pediram investigação disciplinar ao TRF-1, afirmando que seus nomes haviam sido usados “de forma irresponsável, temerária e fraudulenta”. O então corregedor, Cândido Ribeiro, instaurou processo administrativo e registrou que os ex-presidentes da Ajufer assinaram contratos classificados como fraudulentos. A magistrada recebeu pena de disponibilidade, posteriormente anulada pelo CNJ por ausência de quórum qualificado, sem alteração das conclusões da auditoria.
No caso do Banco Master, Solange inicialmente manteve as prisões ao citar risco para as investigações. Dias depois, reconsiderou o entendimento, afirmando que a viagem de Vorcaro ao exterior estava justificada e que não havia risco concreto de fuga.
A trajetória da magistrada inclui passagem pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública e pelo Judiciário mineiro antes de ingressar na Justiça Federal em 1992. Desde então, atuou no TRF-1, no Tribunal Regional Eleitoral e em funções administrativas. Também lecionou em instituições de ensino jurídico e participou de atividades acadêmicas.
A revogação da prisão de Vorcaro ocorreu após a Operação Compliance Zero, que apura fraudes na venda de carteiras de crédito ao BRB, estimadas pela PF em R$ 12 bilhões.
