Delegado que invadiu casa de empresária mantém cargo
Brasília, Domingo, 19 de julho de 2026
Justiça

Delegado que invadiu casa de empresária mantém cargo

Decisão da Justiça de Cuiabá fixou pena em regime semiaberto, reconheceu excessos durante abordagem policial e descartou perda da função pública

Foto: Reprodução

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Por Redação

O delegado da Polícia Civil de Mato Grosso Bruno França Ferreira foi condenado a 2 anos e 1 mês de prisão em regime semiaberto por abuso de autoridade após ameaçar e constranger uma empresária durante uma abordagem ocorrida em Cuiabá, em 2022.

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A decisão foi proferida pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, que, apesar da condenação, decidiu manter o policial no cargo público.

Segundo a sentença, o magistrado considerou comprovado que o delegado ultrapassou os limites da função ao ameaçar a empresária e submetê-la a uma situação considerada vexatória. No entanto, a Justiça rejeitou a acusação relacionada à invasão de domicílio e entendeu que havia elementos que poderiam justificar a entrada do policial na residência.

Na decisão, o juiz avaliou que existiam indícios que levaram o delegado a acreditar na ocorrência de possível flagrante envolvendo crimes como perseguição e injúria contra o adolescente, enteado de Bruno França. Com esse entendimento, a acusação de entrada ilegal na residência foi afastada.

Apesar disso, a conduta adotada durante a abordagem foi considerada incompatível com os limites legais do exercício policial. Conforme os autos, o delegado teria utilizado ameaças, expressões ofensivas e intimidação durante a ação.

A defesa pediu absolvição integral e questionou a aplicação da pena, sustentando que a atuação ocorreu dentro da legalidade diante das informações disponíveis naquele momento. O juiz, porém, concluiu que houve excesso funcional suficiente para caracterizar abuso de autoridade.

Mesmo com a condenação, a Justiça descartou a perda do cargo. Na avaliação do magistrado, fatores como a primariedade do delegado, a ausência de registros anteriores semelhantes e o entendimento de que se tratava de um episódio isolado pesaram na decisão.

Segundo a sentença, a retirada da função pública seria uma medida desproporcional diante das circunstâncias analisadas no processo. Bruno França também poderá recorrer em liberdade, já que permaneceu solto durante toda a tramitação do caso.

Relembre o caso

O episódio ocorreu em novembro de 2022 no Condomínio Florais dos Lagos, em Cuiabá. Segundo a denúncia do Ministério Público, a empresária Fabíola Cássia Garcia Nunes se envolveu em um desentendimento com o enteado do delegado em uma área comum do condomínio.

Após ser informado sobre o caso, Bruno França teria mobilizado uma equipe e ido até o local, mesmo estando fora de sua área de atuação. Conforme a acusação, ele entrou armado na residência da empresária sem autorização judicial e deu voz de prisão à moradora.

De acordo com os relatos do processo, durante a abordagem o delegado teria feito ameaças e proferido frases agressivas diante de familiares da vítima, incluindo uma criança de quatro anos.

Fabíola foi levada posteriormente à Central de Flagrantes, mas a prisão não foi mantida pelo delegado de plantão, que entendeu não haver situação de flagrante.

Durante a análise do caso, a Justiça também considerou relatos apresentados pela defesa apontando um histórico anterior de conflitos envolvendo a empresária e o adolescente. Posteriormente, a mulher chegou a ser condenada por perseguição relacionada ao enteado do delegado.

Assista ao vídeo:

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