Prisão atinge também diretor da ANM em ação que bloqueou R$ 1,5 bilhão
O delegado da Polícia Federal, Rodrigo de Melo Teixeira, foi preso nesta quarta-feira (17) na Operação Rejeito, que investiga um esquema de corrupção em agências federais para liberar autorizações irregulares na mineração. Até a prisão, ele integrava o Comitê de Segurança, Meio Ambiente e Saúde da Petrobras, além de ocupar cargos estratégicos em órgãos do setor de energia.
Apontado como integrante do grupo dos chamados “Silveirinhas”, pessoas de confiança do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, Teixeira ocupava funções de peso. Além da Petrobras, era diretor de Administração e Finanças do Serviço Geológico do Brasil e conselheiro fiscal da Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional, as duas ligadas à pasta de Silveira.
Na Petrobras, sua renúncia foi imediata. A companhia confirmou a saída, frisando não ter “qualquer relação com os fatos investigados na Operação Rejeito”. A presença de Teixeira na estatal vinha desde a gestão de Jean Paul Prates, mantida sob a atual presidente Magda Chambriard, mesmo após disputas internas patrocinadas pelo ministro Silveira.
Teixeira já chefiou a Superintendência da PF em Minas Gerais (2018-2019), presidiu a Fundação Estadual de Meio Ambiente na gestão do petista Fernando Pimentel e foi secretário-adjunto de Segurança em Belo Horizonte durante o governo de Alexandre Kalil (PSD). No governo Lula, ocupou até o início deste ano o cargo de diretor administrativo da PF, o terceiro mais alto posto da corporação.
A Operação Rejeito cumpriu 22 mandados de prisão e 79 de busca e apreensão em Minas Gerais, incluindo a prisão do diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), Caio Mario Seabra. As autoridades também determinaram o bloqueio de R$ 1,5 bilhão.
Segundo as investigações, Teixeira é acusado de ser sócio de uma empresa de mineração envolvida no esquema. O grupo corrompia servidores federais e estaduais para validar licenças ambientais fraudulentas. A ação foi conduzida pela PF em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), com apoio do Ministério Público Federal e da Receita Federal.