Delegado acusa Filipe Martins de "ludibriar a investigação" - Claudio Dantas
Brasília, Quinta, 02 de julho de 2026
Política

Delegado acusa Filipe Martins de “ludibriar a investigação”

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Por Redação

Delegado aponta uso de passaporte extraviado e ausência de sinais de celular

O delegado da Polícia Federal Fábio Shor afirmou nesta segunda-feira (21), em depoimento ao Supremo Tribunal Federal, que o ex-assessor presidencial Filipe Martins teria simulado uma viagem aos Estados Unidos com Bolsonaro para dificultar a investigação sobre uma tentativa de golpe de Estado. O foco da prisão preventiva, segundo ele, não foi a ida aos EUA em si, mas a suposta manipulação de provas e omissão de informações à Justiça

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Ele ter ido ou não aos Estados Unidos não é relevante. São os atos praticados por ele para ludibriar a investigação, além de atos de supressão de provas para impedir a aplicação da lei penal”, disse o delegado à Primeira Turma do STF.

A PF baseou parte do pedido de prisão em uma lista de passageiros apreendida com Mauro Cid, então ajudante de ordens de Bolsonaro. O documento apontava que Martins estaria com a comitiva presidencial que viajou a Orlando no dia 30 de dezembro de 2022, véspera da posse de Lula. Cid, no entanto, afirmou em audiência sigilosa no STF que Filipe Martins não estava no avião.

Questionado pelos advogados do ex-assessor, Shor afirmou que o nome de Martins apareceu em um registro de entrada nos EUA com data coincidente à da comitiva. Segundo ele, a entrada teria sido feita com um passaporte que o próprio investigado havia declarado como extraviado.

Foi utilizado um passaporte que o próprio Filipe Martins havia declarado como extraviado. Esse passaporte foi usado para entrar nos EUA no mesmo dia da chegada da comitiva. O registro no sistema norte-americano indicava hospedagem no mesmo hotel em que estava o então presidente Jair Bolsonaro. Tudo leva a crer que essa entrada nos Estados Unidos foi forjada”, disse o delegado.

Shor também disse que os dados de localização de Martins deixaram de aparecer no sistema de monitoramento da PF logo após as eleições. Segundo o delegado, não havia sinal de celular nem rastreamento por ERBs (Estações Rádio Base), o que levantou suspeita de que ele estaria tentando se esxonder.

O senhor Filipe Martins, no final de novembro e em dezembro, após as eleições […] nesse período, as ERBs deixaram de acompanhá-lo, o que indica que ele não estava portando o telefone celular com o número que era monitorado”, afirmou Shor.

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