Segundo Degaut, “crime organizado vai chamar o Estado por aquilo que ele apresenta: fraqueza, conivência e tolerância”
O programa ALive, apresentado pelo jornalista Claudio Dantas, abordou nesta segunda-feira (17) o megaprotesto em diversas cidades do México contra a política de segurança do governo de Claudia Sheinbaum, após o assassinato do prefeito de Uruapan, Carlos Manzo, por narcoterroristas.
Durante os atos, manifestantes gritaram: “Carlos não morreu; o governo o matou”. Alguns exibiam faixas com dizeres “Somos todos Carlos Manzo”, enquanto outros usavam chapéus de cowboy em homenagem ao prefeito, que defendia medidas duras contra os cartéis de drogas do país.
Para Marcos Degaut, que participou do programa, a instabilidade no México vai muito além de um embate entre direita e esquerda. Segundo ele, os protestos são um “estudo de caso”: “É um movimento que se apresenta como apartitário, ou multipartitário, aí você escolhe o que você preferir, que se referir a isso aí”.
“Tem gente de todas as idades, de todas as religiões, de todos os créditos, de todas as orientações ideológicas. E o fundo disso tudo é um só: Ninguém aguenta mais a questão da instabilidade provocada pela criminalidade”, afirmou.
“Não só o crime organizado, mas também a criminalidade comum. Aliás, a questão da segurança pública é uma tônica em toda a América Latina. É o principal tema das campanhas presidenciais no Chile, foi assim no Equador, foi assim na Bolívia, deve ser assim no Brasil”, completou o analista de segurança internacional.
Degaut comparou México, Brasil e Chile para mostrar a diferença do impacto do crime organizado:
“Brasil é uma população de cerca de 210 milhões de pessoas, um território de 9 milhões de quilômetros quadrados. Chile, 130 milhões de pessoas, um território de cerca de 2 milhões de quilômetros quadrados. O crime organizado arrecada no Brasil, cerca de 440 bilhões de reais, aproximadamente, por ano. Para um PIB de cerca de 11 trilhões de dólares. O crime organizado arrecada no Chile, um país que tem quase metade da população brasileira e um quarto do território, cerca de 550 bilhões de reais. Isso significa que o impacto do crime organizado no México é muito maior para os mexicanos do que é no Brasil”.
O analista também comentou sobre as taxas de homicídio e desaparecimentos. Segundo ele, no Brasil, as taxas de homicídio chegaram em 2018, antes do governo Bolsonaro, a 31 homicídios a cada 100 mil pessoas, e posteriormente foram reduzidas, mas ainda permanecem altas, na faixa de 22 a 23 homicídios a cada 100 mil habitantes.
“E no México, com todo esse problema, é a mesma coisa. Mas o México tem mais problemas ainda. São cerca de 120 mil pessoas desaparecidas por ano, por conta do crime organizado, da violência gerada pelo crime organizado. Uma coisa que nós ainda não temos no Brasil”, completou.
Degaut também criticou as políticas de combate ao crime que, segundo ele, humanizam excessivamente o criminoso. Para ele, no México e no Brasil, as abordagens estão “absolutamente erradas”.
“Porque tanto lá como aqui, com esses governos esquerdistas, existe uma política, vamos chamar assim, de humanização excessiva do criminoso. O criminoso não é visto como aquilo que ele realmente é. Então, a partir do momento em que você não chama as coisas pelo que elas são, o crime organizado vai chamar o Estado por aquilo que ele apresenta: fraqueza, conivência e tolerância. E isso faz com que o narcotráfico se espalhe”, afirmou o analista.
“Talvez o México seja o exemplo mais bem acabado de países em que o narcotráfico, o crime organizado, aparelhou totalmente o tecido político do Estado. As instituições políticas”, finalizou.
