Saldo em 12 meses ficou negativo em R$ 23,1 bi (0,19% do PIB); juros nominais somaram R$ 74,3 bi no mês
O setor público consolidado — União, Estados, municípios e estatais — registrou déficit primário de R$ 17,3 bilhões em agosto, o menor resultado para o mês desde 2021. Em 12 meses encerrados em agosto, o saldo também foi negativo: R$ 23,1 bilhões, equivalente a 0,19% do PIB, segundo o relatório divulgado hoje (30) pelo Banco Central.
O governo central respondeu pela maior parte do rombo, com R$ 15,9 bilhões no vermelho. Estados e municípios tiveram déficit de R$ 1,3 bilhão, e as estatais, de R$ 6 milhões.
Juros, resultado nominal e dívida pública estável em 77,5% do PIB
A conta de juros nominais alcançou R$ 74,3 bilhões em agosto — acima dos R$ 69,0 bilhões de agosto de 2024. No acumulado em 12 meses, os juros somaram R$ 946,5 bilhões (7,63% do PIB). O resultado nominal, que reúne o primário e os juros, ficou deficitário em R$ 91,5 bilhões no mês e em R$ 969,6 bilhões (7,81% do PIB) em 12 meses.
A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) permaneceu em 77,5% do PIB em agosto, somando R$ 9,6 trilhões. O BC aponta que os juros apropriados elevaram a relação dívida/PIB em 0,8 ponto percentual, compensados por resgates líquidos de dívida, efeito do câmbio e da variação do PIB nominal. A Dívida Líquida do Setor Público ficou em 64,2% do PIB (R$ 8,0 trilhões).
O resultado primário mostra se receitas cobririam despesas antes dos juros. Quando é deficitário, indica necessidade de financiamento adicional. Já o resultado nominal incorpora a conta de juros e reflete o impacto total da política fiscal sobre o endividamento.
