Dantas critica caciques partidários e cobra trabalho de base dos pré-candidatos à Presidência
No ALive desta quarta-feira (17), o apresentador Claudio Dantas criticou caciques partidários que tentam “decidir qual candidato que o eleitor tem que escolher”. “Mesmo que não seja o mais popular”, salientou o jornalista.
Ele ainda direcionou recado aos que desejam ser candidatos à Presidência: “Seja popular que você não vai precisar pedir autorização de cacique algum. Faça o trabalho de campo. Viaje pelo país, monte uma estratégia. Crie um bordão. Fale com as pessoas”.
Dantas citou Ronaldo Caiado, pré-candidato à Presidência em 2026, que deu entrevista ontem ao SBT News: “Nem sabe se movimentar na câmera. Bota alguém pra fazer um media training com o Caiado, pelo amor de Deus. O Caiado fica olhando pra repórter em vez de olhar pra câmera”.
“Se movimenta com o corpo e ninguém presta atenção no que ele tá falando. Coisas básicas de jornalismo, coisas básicas do marketing político. Básicas do marketing político. E eu nem sou marqueteiro”, acrescentou o apresentador do ALive.
Dantas lembrou também a trajetória de Jair Bolsonaro ao Planalto: “O Bolsonaro, um ano antes da eleição, tava percorrendo o Brasil inteiro. Ele construiu a popularidade dele. Ele era um deputado de baixo clero, com o voto nichado dos militares. Mas ele se esforçou”.
“Vocês querem ser presidente da República sem se esforçar. O Tacísio quer ser ungido. O Ratinho Jr. quer ser ungido. Caiado quer ser ungido. Vão pra rua, pô. Vão buscar o voto popular”, destacou. “O Tacísio, se quisesse ser presidente, estava fazendo o caminho. Trilhando o caminho pra ser presidente”.
O jornalista também analisou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, definindo-o como “mais ao centro do que a direita”. Segundo Dantas, ele é o “típico candidato de centro-direita”: “Carrega o nome Bolsonaro, mas é um cara ajeitoso, simpático com todo mundo, conversa com todo mundo. Conversa com a esquerda, fala com todo mundo, foi o articulador político do pai”.
“Goste-se ou não”, destacou Dantas, lembrando que Flávio levou Ciro Nogueira ao governo Bolsonaro.
“O Bolsonaro na era do PP, Bolsonaro já disse ‘Eu sou Centrão’, quem não lembra? Tem pragmatismo aí que as pessoas esquecem, mas quais são os valores que essa candidatura carrega? Porque se o Tarcísio carrega valores, ele precisa expor esses valores”, acrescentou o jornalista.
Dantas criticou Tarcísio pela forma que ele age com Alexandre de Moraes: “Ele não pode bater palma para um déspota, ele não pode bater palma pro Alexandre de Moraes, não pode bater palma pro ditador. Simples assim. Não é uma questão institucional, Tarcísio. Não é, sinto muito”.
“Não adianta. Você quer dar medalhinha pra um, medalhinha para o outro? É título de cidadão honorário pra ministro do Supremo? Vai ficar todo mundo ali tentando de alguma forma se alisar”, disse.
“É uma ditadura, senhora e senhores. Decidam que vocês querem. Vocês querem viver na ditadura? Então tá beleza, vamos viver na ditadura. Liberdade de expressão pouco importa pra vocês? Não faz diferença? Cuidado com o que vocês querem, tá?”
“Tem ditadura que começa com essas questões menos importantes para você, aí te tira o direito de falar, de debater, de pensar”, continuou. “Essa ditadura de hoje já tá tirando [direitos] indiretamente, com os impostos. Essa é a verdade e [ela também] tá matando opositores políticos”, finalizou Dantas.
Caso Rebeca Ramagem
Dantas comentou ainda o bloqueio das contas bancárias de Rebeca Ramagem, esposa de Alexandre Ramagem, mesmo sem ela ser investigada. Segundo o jornalista, o ministro do STF “estende” ilegalmente punições “a familiares, a filhos”.
Dantas criticou entidades policiais por não declararem apoio a Rebeca: “Uma delegada de polícia tá sendo vítima de abuso claros, colocando não só a vida dela, mas a das filhas em risco, a subsistência da família em risco, a saúde e a vida de crianças”.
“Não é possível, ela não é nem investigada, senhoras e senhores. Nem investigada. Não é possível que não tenhamos homens para defender uma mulher. Onde estão os delegados de polícia? Que honrem as calças para fazer a defesa de uma colega de corporação”, concluiu.
