Damares Alves teria procurado o Metrópoles para dizer que está deixando a campanha de Flávio Bolsonaro. Segundo o colunista Igor Gadelha, a senadora ficou magoada por não ter sido procurada pelo colega após ser ofendida nas redes por militantes. “Já fiz o que era preciso no primeiro momento. Depois a gente volta a ajudar no governo de transição”, disse.
A ironia está no fato de que Damares nada fez até hoje pela campanha de Flávio. Ela foi apenas uma das 100 pessoas entrevistadas para a confecção do plano de governo. Não defendeu voto no senador e nem articulou apoio dos evangélicos no Distrito Federal. Muito pelo contrário.
É atribuída a ela alguma influência sobre Michelle na gravação do vídeo com queixas e acusações infundadas ao 01.
Nesse sentido, se Damares diz que já fez “o que era preciso”, deixar de atrapalhar é um verdadeiro alívio para Flávio e o núcleo duro da campanha. O curioso dessa história é a queixa em relação ao próprio candidato, que sempre a tratou com consideração, assim como o próprio Jair Bolsonaro e o eleitor bolsonarista.
Cobrar do senador que se manifeste sobre toda e qualquer ofensa ou acusação feita por qualquer apoiador sem o menor vínculo com a campanha é forçar a barra. É querer que o pré-candidato passe a tratar da batalha campal das opiniões livres que circulam na internet, deixando de lado o debate sobre políticas públicas.
Michelle tentou fazer o mesmo e isso não passa de uma armadilha. Aliás, uma armadilha comum à esquerda, a quem a senadora passou a acenar com simpatia, numa espécie de síndrome de Estocolmo. Ou Damares já esqueceu de como foi humilhada e perseguida pela esquerda e sua mídia, sendo ridicularizada como uma desvairada que via Jesus na goiabeira?
Ela pode achar que não deve nada a Flávio; mas, em seus piores momentos, foi defendida pela mesma militância bolsonarista que agora acusa de ataques misóginos. Também foi acolhida e blindada pelo líder político desses milhões de eleitores; o mesmo líder que hoje está preso e silenciado de forma ilegal.
Ontem mesmo, Jair divulgava por meio de seu filho uma carta pedindo união e reafirmando que Flávio é seu candidato e porta-voz. Pular do barco no dia seguinte é um ato claro de traição; fazer isso indiretamente a partir de uma notinha plantada na coluna de um jornal é um sinal claro de covardia.
É uma pena que a senadora, que parece ter memória curta e caráter controverso, não enxergue a verdadeira batalha que vem sendo travada contra Lula e seu sistema de poder totalitário. Ou já capitulou e apenas simula ainda ser uma mulher conservadora. Se é que algum dia foi.