Relator da CPMI acusa presidente da CBPA de tentar incluir mais de 40 mil beneficiários falecidos em descontos associativos ilegais no INSS
A sessão da CPMI do INSS desta segunda-feira (3) foi marcada por perguntas e silêncio entre o relator da comissão e o presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, suspeito de chefiar um esquema milionário de descontos associativos ilegais aplicados até em beneficiários falecidos.
Logo no início do interrogatório, o relator afirmou que a CBPA “bateu recorde” em tentativas de fraudes no sistema de consignados do INSS.
“O senhor é recordista como presidente da CBPA de tentativa de inclusão de pessoas mortas em descontos associativos. Ninguém chegou nem perto. Foram mais de 40 mil mortos com tentativa de inclusão nos cadastros”, disse o parlamentar.
Confrontado, Abraão Lincoln tentou se esquivar, alegando desconhecimento. “Como não tenho conhecimento dessa informação, me reservo ao silêncio”, respondeu.
O relator insistiu: “Em 2023, o senhor era presidente da CBPA?” “Sim, senhor”, admitiu o depoente. Diante da confirmação, o relator apresentou dados da Controladoria-Geral da União (CGU) e do próprio INSS, mostrando que, em maio de 2023, a entidade fez quatro tentativas de inclusão de descontos, das quais apenas uma foi aceita. Mas, no mês seguinte, o número saltou para 64 mil cadastros.
“A pergunta que eu faço ao senhor: como é que vocês saem de quatro para 64 mil cadastros em um mês?”, questionou o relator. “Permaneço em silêncio, senhor”, respondeu o presidente da CBPA. O relator continuou, destacando o “recorde de produtividade” da confederação em julho do mesmo ano: 196.852 cadastros, com 190 mil aprovados pelo sistema do INSS e apenas 6 mil rejeitados.
“O sucesso foi de 97%. É quase um aluno tirar nota 10 na prova. O INSS fiscalizou o quê? Conferiu o quê? Verificou o quê?”, ironizou o parlamentar, acrescentando que o caso representa “um colapso nos filtros de integridade da Dataprev e do INSS”. Ao longo de 2023 e 2024, segundo os dados apresentados, a CBPA teria incluído 757 mil cadastros de beneficiários, movimentando R$ 221 milhões em dois anos.
“O senhor é presidente de uma entidade que arrecadou R$ 221 milhões. Estamos falando de dinheiro de aposentado e pensionista. O senhor pode sair daqui inocentado publicamente ou previamente condenado por esses desvios. O senhor é quem decide o seu futuro”, afirmou.
O relator também citou nomes ligados à investigação, perguntando se o depoente conhecia Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, além de Filipe Zimanovski, Taís Nascimento e a empresa Plataforma Consultoria, supostamente envolvida nos repasses. O depoente seguiu em silêncio.
