A CPMI do INSS ouve hoje à tarde (23) Ingrid Pikinskeni Morais Santos, ligada à Conafer, entidade apontada como beneficiária de mais de R$ 100 milhões provenientes da “Farra do INSS”. A reunião começa às 16h, na sala 2 da Ala Nilo Coelho, no Senado.
Ingrid é esposa e sócia de Cícero Marcelino de Souza Santos, apontado como operador e assessor do presidente da Conafer. Segundo as investigações, ela pode ter recebido recursos ilícitos repassados pelo marido e atuado na ocultação de patrimônio.
Os requerimentos de convocação indicam que o nome da depoente aparece em operações financeiras de alto valor e sem justificativa econômica. O casal também é suspeito de negociar carros de luxo para lavar dinheiro obtido com as fraudes.
De acordo com a PF, a Conafer atuou fazendo uma “ponte” entre agricultores e o INSS para facilitar acesso a beneficíos. Os descontos da associação, acordados e permitidos junto ao INSS, surgiam como pagamento dessa “consultoria”.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, era esperado para depor hoje sobre o crédito consignado da instituição. Mais de 250 mil contratos vinculados ao banco apresentam indícios de irregularidades, incluindo suspeitas de contratação sem autorização dos beneficiários.
Vorcaro, no entanto, se recusou a depor. Ele está amparado por decisão do ministro do STF, André Mendonça, que o desobrigou de comparecer à CPMI e à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
O consignado do Master era comandado por Augusto Lima, empresário ligado ao núcleo do PT na Bahia, desde 2019. O Credcesta surgiu durante a privatização da estatal de supermercados da Bahia, na gestão de Rui Costa, em 2018, e cresceu rapidamente, alcançando mais de 160 municípios em 20 estados e respondendo por metade do lucro do banco.
O Master mantinha acordo de cooperação técnica com o INSS para ofertar crédito consignado. A CPMI apura se houve descontos indevidos, falhas de controle e eventual participação de dirigentes ou parceiros da instituição nas irregularidades.
