A movimentação de parlamentares em Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) no Congresso se intensificou após a operação da Polícia Federal que prendeu o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por fraude financeira no Banco Master, em novembro do ano passado. Até o momento, diferentes colegiados registraram 91 requerimentos relacionados ao caso.
Levantamento aponta que a CPMI do INSS apresentou 59 solicitações, o equivalente a 9% dos pedidos feitos no período. Já a CPI do Crime Organizado, instalada no Senado, protocolou 32 requerimentos, que representam 23% do total do colegiado.
As iniciativas incluem pedidos de informações, convites para depoimentos e convocações de pessoas ligadas ao Banco Master. Há expectativa de que Daniel Vorcaro seja ouvido pela CPMI do INSS no próximo dia 26 de fevereiro.
O presidente da CPMI, Carlos Viana, afirmou que o escopo do colegiado é restrito às irregularidades em empréstimos consignados. “Eu adoraria investigar toda a relação do Banco Master com o mercado financeiro, com as instituições ligadas ao governo e às entidades, mas eu não posso fazer isso”, disse à CNN. “O meu limite constitucional da CPMI, a minha autoridade e dos parlamentares que estão comigo termina nos descontos irregulares.”
Na CPI do Crime Organizado, o relator Alessandro Vieira defendeu o aprofundamento das apurações. Segundo ele, há indícios de infiltração do Banco Master nos Três Poderes. “Quando você olha para o caso Master, tem um aspecto dele que não é apurado, que é justamente a relação, a infiltração do Banco Master, dos seus coordenadores, nos Três Poderes”, afirmou. “Em especial, a infiltração do Poder Judiciário, aparentemente mediante pagamento de valores significativos a familiares de ministros.”
Além das CPIs, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado acompanha o caso. O grupo de trabalho da CAE deve votar, nesta terça-feira (10), pedidos de informações sobre as investigações. O presidente do grupo, Renan Calheiros, agendou reuniões nesta semana com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e com o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin.
