Câmara acelera Marco Legal contra facções enquanto CPI no Senado ouve PF
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Brasil

Câmara acelera Marco Legal contra facções enquanto CPI no Senado ouve PF

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta sexta-feira (28) que a próxima semana será marcada pela discussão da PEC da Segurança Pública no colégio de líderes.
Foto: Mario Agra / Câmara dos Deputados

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

Direção da Polícia Federal abre semana decisiva de depoimentos sobre avanço do crime organizado

A CPI do Crime Organizado inicia nesta terça-feira (18) uma das semanas mais relevantes desde sua instalação no Senado. Os senadores vão ouvir o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. Ambos participam da sessão a convite do relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). O foco é aprofundar as investigações sobre a expansão territorial, econômica e operacional das facções criminosas no país.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

A audiência também deve examinar a atuação conjunta da PF com a Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro. O tema ganhou peso político após a megaoperação realizada no dia 28 de outubro nos complexos do Alemão e da Penha, que terminou com 121 mortos. A ação foi uma das maiores ofensivas recentes contra grupos armados no estado e levantou questionamentos sobre o uso da força e o impacto na segurança pública.

Paralelamente, a Câmara dos Deputados prepara uma votação considerada estratégica pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Ele confirmou que o Marco Legal de Combate ao Crime Organizado entrará na pauta desta terça-feira. Segundo Motta, a proposta representa “a resposta mais dura da história do Parlamento no enfrentamento do crime organizado”. O texto aumenta penas para integrantes de facções, dificulta progressões e cria bancos nacionais e estaduais de dados sobre organizações criminosas.

Motta afirmou que o momento exige “firmeza, garantias e eficiência institucional”. Ele destacou que a votação será conduzida com urgência devido ao avanço de facções em diversas regiões do país.

A CPI, criada em 4 de novembro, é presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES). O colegiado tem 11 titulares e sete suplentes. Para o relator Alessandro Vieira, a presença da cúpula da PF é essencial para compreender o real poder de articulação das facções e o nível de infiltração desses grupos em estados e municípios. Vieira argumenta que o país enfrenta redes criminosas com atuação cada vez mais sofisticada, impulsionadas por estruturas robustas de lavagem de dinheiro.

A comissão ouvirá, na quarta-feira (19), o diretor de Inteligência Penal do Ministério da Justiça, Antônio Glautter de Azevedo Morais, e o promotor Lincoln Gakiya, referência nacional no combate ao PCC desde os anos 2000. Gakiya participou de operações de grande impacto e é considerado uma das principais vozes na investigação de facções que atuam dentro e fora dos presídios.

As informações coletadas pela CPI servirão de base para o acompanhamento do Projeto de Lei das Facções Criminosas, relatado pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP). O texto é apontado como complementar ao Marco Legal que deve ser votado nesta semana na Câmara. A comissão também vai avaliar o nível de cooperação entre órgãos de segurança, especialmente após a Operação Carbono Oculto, que revelou esquemas de lavagem de dinheiro por meio de fintechs e postos de combustíveis.

O prazo inicial da CPI é de 120 dias. O objetivo é mapear a atuação e a expansão das organizações criminosas em todo o território nacional e indicar mudanças legislativas capazes de fortalecer o enfrentamento a facções e milícias.

 

 

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade