O relatório final da CPI do Crime Organizado pede o aprofundamento das investigações sobre a morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado como figura central em apurações envolvendo o Banco Master.
O documento, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB/SE), será votado nesta terça-feira (14).
Segundo o relatório, Mourão ocupava posição estratégica dentro da estrutura investigada e tinha acesso a informações consideradas sensíveis. O texto afirma que “as circunstâncias da morte de Sicário precisam ser efetiva e completamente esclarecidas” e o descreve como “investigado-chave — o principal operador do núcleo de intimidação da organização”.
A CPI destaca que a morte ocorreu após a prisão do investigado em operação da Polícia Federal. De acordo com registros mencionados no relatório, ele teria tentado suicídio enquanto estava sob custódia e morreu dias depois, após internação.
Para o relator, o caso levanta dúvidas sobre os procedimentos adotados. “A morte de um custodiado nessas condições levanta questionamentos graves sobre a integridade dos procedimentos de custódia”, afirma o documento.
Embora registre confiança na atuação da Polícia Federal, o relatório sustenta que o episódio deve ser analisado com maior rigor. O texto afirma que “não se pode descartar sem o escrutínio público” a possibilidade de o caso estar inserido em dinâmicas típicas de organizações criminosas, nas quais a eliminação de indivíduos com potencial de colaboração com a Justiça é utilizada como mecanismo de proteção de estruturas superiores.
A CPI aponta que Mourão integraria um grupo operacional ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, identificado como responsável por ações de monitoramento e intimidação. Segundo o relatório, esse núcleo atuaria na coleta de informações e na pressão sobre alvos considerados adversários, incluindo autoridades, ex-integrantes do grupo e jornalistas.
O documento também registra que o investigado receberia valores elevados pela atuação, estimados em cerca de R$ 1 milhão mensais, no contexto das atividades ilícitas apuradas.
Para o relator, a morte de Mourão compromete uma linha relevante de investigação, já que ele poderia fornecer elementos sobre o funcionamento interno da organização e suas conexões.
A CPI conclui que o caso deve ser alvo de apuração aprofundada, com transparência, diante do potencial impacto sobre o esclarecimento de fatos relacionados ao crime organizado e ao uso de estruturas financeiras para atividades ilícitas.
