Correios tentam captar R$ 10 bi e preparam corte de 10 mil funcionários
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Correios tentam captar R$ 10 bi e preparam corte de 10 mil funcionários

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Por Redação

Estatal busca empréstimo urgente para evitar colapso financeiro e viabilizar plano de reestruturação

Imersos em dificuldades financeiras, os Correios correm contra o tempo para levantar ao menos R$ 10 bilhões em 15 dias. O dinheiro é necessário para equilibrar o caixa, recuperar a capacidade operacional e evitar um cenário ainda mais crítico, segundo informações do O Globo. A direção da estatal espera obter o valor por meio de um empréstimo com garantia da União até o fim do mês.

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O montante representa metade dos R$ 20 bilhões inicialmente planejados, mas a empresa reduziu a meta após bancos cobrarem custos elevados na primeira rodada de negociações. A chegada do empréstimo é essencial para sustentar as ações de saneamento das despesas, com foco na redução da folha salarial. O plano inclui um Programa de Demissão Voluntária (PDV) para atingir 10 mil desligamentos, medida que exige incentivos para atrair adesões. A meta é diminuir a folha em R$ 2 bilhões por ano.

A estatal busca crédito com taxa máxima de 120% do CDI, limite adotado em operações com garantia da União. A proposta foi enviada a cerca de dez bancos, incluindo instituições de menor porte. Na rodada anterior, as taxas chegaram a 136% do CDI, consideradas altas para uma operação avalizada pelo Tesouro. BTG Pactual, Citibank, ABC Brasil e Banco do Brasil não comentaram a negociação.

Com a redução do valor pretendido, a empresa acredita ser possível garantir ao menos R$ 10 bilhões no curto prazo e buscar o restante em nova rodada. A operação pode envolver um sindicato de bancos, modelo já adotado em empréstimo anterior. A direção dos Correios já apresentou ao TCU as linhas do plano de reestruturação para evitar questionamentos futuros.

O empréstimo é considerado fundamental para pagar dívidas, ajustar compromissos atrasados e viabilizar o plano de reestruturação. A estatal acumula prejuízo de R$ 4,3 bilhões em 2025. Só no segundo trimestre, o rombo chegou a R$ 2,6 bilhões. O caixa tem déficit mensal de cerca de R$ 750 milhões.

A empresa afirma enfrentar desafios econômicos e concorrenciais, além de restrições financeiras que afetam as entregas. O índice de entregas no prazo está em 92%. Para recuperar contratos e competitividade, a estatal avalia que precisa superar 95%. No pior momento do semestre, o indicador caiu a 76%.

O avanço das negociações também depende da resolução de problemas em empréstimos anteriores. A empresa quer quitar um débito de R$ 1,8 bilhão com Citibank, BTG Pactual e ABC Brasil, que ficou mais caro após o descumprimento de cláusulas sobre o estoque de precatórios. A taxa, antes de CDI + 3%, subiu para adicionais de 4% em outubro e 5% em novembro.

Um aditivo de R$ 40,5 milhões foi assinado para ajustar o contrato, com pagamento em duas parcelas, em 28 de novembro e 28 de dezembro. Os bancos podem reter valores na conta garantia a partir do dia 15. O descumprimento também antecipou o pagamento do valor principal, previsto originalmente para junho de 2026.

A cláusula de “pagamento antecipado mandatório” foi acionada porque o estoque de precatórios ultrapassou R$ 900 milhões. No segundo trimestre, chegou a R$ 2,051 bilhões. Para o quarto trimestre, o limite volta a valer, agora de R$ 2,5 bilhões.

O cenário da estatal é marcado por queda de receitas, aumento de custos e perda de eficiência, fatores que deterioraram o caixa. Sem fôlego financeiro, a empresa busca nova solução para levantar R$ 10 bilhões em 15 dias e enfrentar pagamentos urgentes. A crise contratual recente ainda dificulta a operação e expõe a estatal ao risco de retenção de recursos.

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