Novo presidente da estatal, Emmanoel Rondon, diz que a queda de receita desde 2021 levou a um déficit que impede honrar compromissos
O novo presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, disse nesta quarta-feira (15) que o rombo de caixa da estatal era de R$ 5,6 bilhões em junho. Ele projetou que a empresa pública só voltará a dar lucro depois de implementado o plano de recuperação apresentado, em 2027.
“No balanço que foi fechado em junho, se você comparar ativo e passivo circulante, você vai ver um gap de R$ 5,6 bilhões. Ou seja, precisávamos de R$ 5,6 bilhões para cumprir os compromissos de 12 meses”, afirmou a jornalistas. O presidente da estatal rejeitou a possibilidade de privatização.
Essa deficiência de caixa já impacta diretamente a operação, causando atrasos e problemas no pagamento de fornecedores. “Estamos com déficit de caixa presente já há alguns meses e isso afetou a nossa operação. É essa urgência que precisamos tratar para que tenha normalidade no pagamento de fornecedores e, com isso, a normalidade da operação”, afirmou Rondon.
Para sair do vermelho, a principal aposta é a captação de um empréstimo de R$ 20 bilhões, montante que servirá para implementar o plano de reestruturação e também substituir um empréstimo anterior de R$ 1,8 bilhão, contratado como capital de giro em condições menos favoráveis, com vencimento a partir de janeiro de 2026. O novo crédito, negociado com garantia da União para obter juros mais baixos e prazo estendido, vai permitir a implementação do PDV (Programa de Demissão Voluntária) e a renegociação de contratos.
A crise financeira dos Correios chegou ao auge em 2025, com um rombo histórico que já supera todos os prejuízos registrados desde 2016. A estatal está no vermelho desde um último lucro em 2021 e enfrenta uma escalada de déficits bilionários provocada por aumento de custos, perda de competitividade, má gestão e queda drástica nas encomendas internacionais — agravada pela chamada “taxa das blusinhas”, implementada pelo governo Lula.
Escalada dos prejuízos: de 2022 a 2024
Após lucro recorde de R$ 3 bilhões em 2021, os Correios voltaram ao vermelho em 2022, com prejuízo de R$ 767 milhões. O déficit caiu levemente em 2023 (R$ 633 milhões), mas disparou em 2024, atingindo R$ 2,6 bilhões — o maior desde 2016. A receita líquida caiu para R$ 18,9 bilhões, enquanto os custos subiram 4,7%, pressionados por despesas com pessoal, precatórios e demandas judiciais.
