A conta de luz deve subir acima da inflação em 2026. Consultorias e bancos ouvidos pelo jornal O Globo projetam alta entre 5,1% e 7,95%, pressionada por reservatórios baixos, maior uso de termelétricas e aumento de subsídios.
Estão previstos R$ 47,8 bilhões em subsídios ao setor elétrico no próximo ano, valor 17,7% superior ao de 2025. A conta será paga pelos consumidores por meio das tarifas.
Projeção da consultoria PSR, feita a pedido do jornal, indica reajuste de 7,95% para a tarifa residencial, cerca de 4 pontos percentuais acima da inflação estimada em 3,95%, segundo o último boletim Focus, do Banco Central (BC).
Algumas regiões podem registrar queda pontual, mas outras devem ter aumentos mais expressivos.
“Os fatores que atuam para elevar a conta de luz são o custo de acionamento das térmicas, o risco hidrológico pago em contratos com hidrelétricas e o acionamento de bandeiras tarifárias. Todos tendem a se agravar em cenário hidrológico desfavorável e forte demanda, por exemplo, devido ao aumento da temperatura”, disse ao jornal o diretor-presidente da PSR, Luiz Augusto Barroso.
O cálculo considera reajustes das distribuidoras, encargos, impostos e bandeiras tarifárias, cobrança extra aplicada quando o sistema recorre a fontes mais caras, como termelétricas. Atualmente vigora a bandeira verde, sem custo adicional. Entre junho e novembro do ano passado, o sistema operou sob bandeira vermelha patamar 1 e 2, a mais onerosa.
O economista-chefe do Banco BMG, Flávio Serrano, afirmou ao O Globo que projeta alta de 5,1%, mas alerta para risco maior. A possível transição de La Niña para El Niño o preocupa.
“Estamos com os reservatórios abaixo da média histórica e existe a expectativa de passarmos do fenômeno La Niña para El Niño ao longo do ano, fato que aumenta a variabilidade dos cenários possíveis para as chuvas em 2026. A nossa projeção leva em consideração a hipótese de bandeira amarela em dezembro, mas se fecharmos em bandeira vermelha 2, a energia fecharia o ano com alta de cerca de 12%”, afirmou Serrano.
Na última reunião, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico informou que as chuvas no início do ano ficaram acima da média, elevando os reservatórios. Na última sexta (20), o nível estava em 54,8% no Sudeste/Centro-Oeste, 45% no Sul, 64,8% no Nordeste e 63,8% no Norte.
Outro fator de pressão é a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo que financia subsídios como descontos para baixa renda e produtores rurais. Em 2026, o valor previsto é de R$ 47,8 bilhões.
Levantamento da Abraceel mostra que, nos últimos 15 anos, a tarifa subiu 177%, ante inflação de 122%.
Em 2025, a energia residencial avançou 12,31%, segundo o IBGE, maior impacto individual no IPCA, que fechou o ano em 4,26%. O reajuste só não foi maior devido a R$ 2,2 bi em descontos bancados por bônus da Usina de Itaipu. O custo do megawatt-hora chegou a R$ 786,76, o maior desde 2011, segundo a Aneel.
