Congresso analisa hoje veto de Lula ao PL da Dosimetria
Brasília, Quinta, 18 de junho de 2026
Política

Congresso analisa hoje veto de Lula ao PL da Dosimetria

Votação ocorre em meio à derrota histórica de Lula, após rejeição de Jorge Messias ao STF

Foto: Roque de Sá/Agência Senado

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Por Redação

O Congresso Nacional se reúne hoje (30), a partir das 10h, para analisar o veto de Lula (PT) ao PL da Dosimetria. O projeto trata da redução de penas aplicadas a condenados pelos atos de 8 de Janeiro e também alcança condenados da suposta “trama golpista”, sem prever anistia.

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Apresentado pelo deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), o PL da Dosimetria altera dispositivos do Código Penal e da Lei de Execução Penal e estabelece novos critérios de cálculo e redução de penas conforme o tipo de condenação.

A votação ocorre em meio a uma nova tensão entre Executivo e Legislativo e pode impor mais uma derrota ao governo. Ontem (29), o Senado rejeitou o nome de Jorge Messias, indicado de Lula ao Supremo Tribunal Federal (STF), em uma derrota histórica.

A rejeição de um indicado ao Supremo não ocorria há 132 anos. A última vez em que o Senado havia barrado uma indicação presidencial ao STF foi em 1894, 5 anos após a Proclamação da República. Na ocasião, foram rejeitados cinco nomes indicados por Floriano Peixoto.

PL da Dosimetria

O texto, já aprovado na Câmara e no Senado no ano passado, é tratado como alternativa à proposta de anistia, que não avançou na Casa Baixa e previa perdão total aos envolvidos nos atos de 2023.

A dosimetria é o mecanismo jurídico que define como o juiz fixa a pena com base na gravidade do crime, antecedentes e circunstâncias do caso. O PL 2162/23 estabelece parâmetros para esse cálculo e prevê redução de penas em diferentes situações, incluindo os eventos de 8 de Janeiro e também ligado ao caso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados, que também serão beneficiados.

O texto determina que os crimes de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e de golpe de Estado, quando praticados no mesmo contexto, devem ser enquadrados pela pena mais grave, e não pela soma das punições.

Hoje, o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) permite a soma das penas nesses casos, o que foi aplicado nas condenações de réus dos atos de 8 de Janeiro.

O projeto também reduz o tempo necessário para progressão de regime, permitindo mudança do fechado para o semiaberto ou domiciliar em determinadas hipóteses. Além disso, prevê redução de pena de um a dois terços em casos de atuação em multidão, desde que o condenado não tenha financiado os atos nem exercido liderança.

Para derrubar um veto presidencial, são necessários 257 votos na Câmara e 41 no Senado, em sessões separadas no mesmo dia. A contagem começa pela Câmara dos Deputados.

Se o veto for mantido, o projeto é arquivado. Se for derrubado, segue para promulgação pelo presidente da República em até 48 horas.

A aplicação de eventuais revisões de pena dependerá de análise individual do Supremo Tribunal Federal, caso o texto seja promulgado após eventual derrubada do veto.

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