Ciro Nogueira apoia isencao de IR até 5mil, mas sugere alternativa para compensação - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Ciro Nogueira apoia isencao de IR até 5mil, mas sugere alternativa para compensação

Ciro Nogueira pede união da direita, critica divisões internas e alerta que postura pode beneficiar Lula em 2026
Ciro Nogueira pede união da direita, critica divisões internas e alerta que postura pode beneficiar Lula em 2026 Em pronunciamento, senador Ciro Nogueira (PP-PI). Foto: Pedro França/Agência Senado

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), se reúne nesta quinta-feira (3) com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para apresentar uma proposta alternativa ao projeto do governo sobre a isenção do Imposto de Renda (IR). O encontro está previsto para as 8h30, na Câmara dos Deputados.

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A proposta do PP, elaborada pelo deputado Cláudio Cajado (PP-BA), mantém a isenção para quem ganha até R$ 5.000, mas sugere formas de compensação diferentes das apresentadas pelo governo Lula. A isenção do IR para essa faixa de renda foi uma das principais promessas de campanha do presidente petista.

LEIA AQUI: Proposta de Emenda ao PL de Isenção – CIRO NOGUEIRA

O projeto enviado pelo governo ao Congresso propõe um imposto para quem ganha mais de R$ 50 mil por mês como forma de compensar a perda de arrecadação. O ponto gera resistência no Congresso, com parlamentares criticando a criação de um novo tributo para bancar a medida. “O governo quer vender a ideia de alívio para a classe média, mas, na prática, está criando mais imposto para a população produtiva”, disse um parlamentar da oposição.

Em evento no mercado financeiro, o senador admitiu que “um parlamentar não tem como votar contra a proposta de isenção do imposto de renda para quem ganha até cinco mil reais.”

Hugo Motta deve instalar uma comissão especial para analisar o projeto. Em reunião com líderes partidários, ele discutirá a formação do colegiado. Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara e aliado de Ciro Nogueira, irá assumir a relatoria. Entre os cotados para presidir a comissão, está Rubens Pereira Jr. (PT-MA), ligado ao governo.

O PP pretende entregar a proposta de Cajado ao relator assim que o nome for oficializado. A estratégia é pressionar o governo a rever a compensação tributária, vista por setores do Congresso como um ataque ao setor produtivo. “Não podemos permitir que o governo tente equilibrar as contas sacrificando quem trabalha e gera empregos”, criticou um deputado do centrão.

A proposta do governo prevê a seguinte divisão para o pagamento do IR:

  • Até R$ 5 mil: isenção total;
  • De R$ 5 mil a R$ 7 mil: isenção parcial;
  • Acima de R$ 7 mil: tributação normal conforme a tabela progressiva.

Para compensar a isenção, o governo propõe um imposto mínimo de até 10% para quem ganha mais de R$ 50 mil mensais, chegando a R$ 600 mil anuais.

Críticos da proposta apontam que o governo busca um novo imposto disfarçado de justiça social. “Ao invés de cortar gastos e reduzir a máquina pública, prefere tirar mais dinheiro do setor produtivo”, afirma um economista ligado à oposição. O embate sobre a isenção do IR promete ser mais um capítulo da disputa entre governo e Congresso.

 

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