Alive: Itamaraty virou instrumento de política partidária
Brasília, Sexta, 26 de junho de 2026
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Alive: Itamaraty virou instrumento de política partidária

Apresentador criticou reação do Ministério das Relações Exteriores às tarifas dos EUA e comentou carta enviada por Marco Rubio a Flávio Bolsonaro

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O apresentador Claudio Dantas criticou, nesta sexta-feira (26), a nota divulgada pelo Itamaraty em resposta ao anúncio de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Durante o programa Alive, no YouTube, ele afirmou que o Ministério abandonou a tradição diplomática do país ao classificar como “traidores da pátria” os críticos da atuação do governo Lula no episódio.

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A manifestação do jornalista ocorre dois dias depois de o Itamaraty publicar um comunicado responsabilizando opositores pela decisão americana de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Na nota, o ministério afirma que o grupo tentou promover uma “interferência externa na justiça brasileira” e conclui que os “traidores da pátria” devem um pedido de desculpas ao país pelos prejuízos causados.

Para Dantas, a linguagem adotada pelo Itamaraty rompe com o padrão histórico da diplomacia brasileira e transforma um órgão de Estado em instrumento de disputa política.

“Não é possível que o Itamaraty esteja se manifestando dessa maneira, com essa linguagem, em relação a um senador da República. O Itamaraty nunca poderia ter uma postura política partidária. Nunca.”

O apresentador afirmou que ficou surpreso ao ler o comunicado e disse que precisou confirmar se o texto era autêntico.

“Eu tive que ir ver a nota original, porque realmente olhei e falei: isso não é possível.”

Na avaliação de Dantas, o episódio evidencia o aparelhamento das instituições públicas.

“Você está entrando para a história pela porta dos fundos, manchando a história do Itamaraty e da diplomacia brasileira para fazer política partidária.”

As críticas surgem no momento em que veio a público uma carta enviada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O documento responde ao parlamentar, que havia pedido ao governo americano que evitasse novas sanções comerciais contra o Brasil.

Na resposta, Rubio manteve a posição da administração Donald Trump e reafirmou que Washington continua vendo problemas em áreas como comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção, propriedade intelectual e desmatamento ilegal. Ao mesmo tempo, agradeceu a Flávio pelo apoio à classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas e considerou “generosa” a proposta de criação de uma equipe conjunta de transição em caso de vitória do senador nas eleições.

Ao comentar esse cenário, o cientista político Paulo Kramer afirmou que o governo Lula conduz uma política externa baseada em posições ideológicas e distante do interesse nacional.

“Lula, Celso Amorim e Mauro Vieira fazem uma política externa de grêmio estudantil.”

Segundo Kramer, a reconstrução da política externa será uma das tarefas do próximo governo. Para ele, o Brasil precisa recuperar uma diplomacia voltada aos interesses nacionais e à ampliação das relações comerciais.

“O Brasil tem que fazer bons negócios com o mundo inteiro. O interesse nacional deve estar acima de qualquer preferência ideológica.”

O analista Ary Alcântara também avaliou que a carta de Rubio representa um sinal político relevante para o Brasil. Segundo ele, o documento reforça a disposição dos Estados Unidos de manter diálogo com Flávio Bolsonaro e evidencia que Washington acompanha o cenário político brasileiro.

Na visão do comentarista, a correspondência também projeta o senador como interlocutor em uma eventual mudança de governo.

“É um documento extremamente importante e que o Flávio pode colocar como bandeira na campanha.”

Ary acrescentou que uma relação consistente entre Brasil e Estados Unidos depende da retomada de uma diplomacia baseada em diálogo, respeito institucional e parceria entre os países.

Já a cientista política Júlia Lucy afirmou que o governo Lula tem ampliado o afastamento dos Estados Unidos ao mesmo tempo em que fortalece sua aproximação com a China. Segundo ela, essa estratégia também aparece na política agrícola e fundiária.

A comentarista afirmou que produtores rurais enfrentam dificuldades para obter crédito e regularizar suas propriedades, o que, segundo ela, favorece a compra de terras por investidores chineses.

“O governo dificulta o acesso ao título de terra e trabalha para quebrar o agricultor brasileiro. Sem crédito, muitos acabam vendendo suas terras para a China.”

Júlia também criticou a emissão de títulos brasileiros em Wuhan e afirmou que a iniciativa representa um desafio ao sistema financeiro internacional.

“Quando o Lula faz isso, ele desafia os Estados Unidos e a organização do sistema financeiro internacional da qual o Brasil faz parte.”

Durante o programa, os participantes sustentaram que a resposta do Itamaraty ao tarifaço americano e a manutenção das divergências com Washington refletem uma condução da política externa orientada por interesses políticos do governo, enquanto a carta de Marco Rubio foi apresentada como um indicativo de que os Estados Unidos mantêm interlocução com setores da oposição brasileira.

Assista ao programa na íntegra

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