CCJ adia votação de PEC que amplia autonomia financeira do Banco Central
Brasília, Segunda, 20 de julho de 2026
Política

CCJ adia votação de PEC que amplia autonomia financeira do Banco Central

Pedido de vista interrompe análise da proposta que retira orçamento da instituição do caixa da União

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

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Por Redação

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado adiou nesta quarta-feira (20) a votação da proposta de emenda à Constituição que amplia a autonomia do Banco Central ao conceder independência financeira e orçamentária à instituição. A análise foi suspensa após pedido de vista coletiva apresentado durante a sessão.

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A proposta, em tramitação desde 2023, busca aprofundar a autonomia já concedida ao Banco Central em 2021. Caso aprovada pelo Congresso, a instituição passará a administrar recursos próprios, com orçamento desvinculado das contas da União.

O texto relatado pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM) define o Banco Central como uma “entidade pública de natureza especial”, com autonomia técnica, operacional, administrativa, financeira e orçamentária. A nova classificação substitui uma versão anterior da proposta que previa transformar o órgão em empresa pública de direito privado.

A PEC foi apresentada pelo senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) e determina que o orçamento do Banco Central seja elaborado e executado pela própria instituição. O plano financeiro passaria por avaliação do Conselho Monetário Nacional e, posteriormente, pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Na prática, a medida retiraria a instituição das regras do arcabouço fiscal aplicadas ao restante da administração pública federal. O texto, porém, estabelece limite para as despesas: os gastos não poderão ultrapassar o orçamento do ano anterior corrigido pela inflação.

Nos bastidores, o governo federal atua para desacelerar o avanço da proposta. Integrantes da equipe econômica avaliam que o debate sobre a autonomia financeira do Banco Central deveria ocorrer em outro momento, diante do impacto institucional da mudança.

A proposta também enfrenta resistência no Senado. O senador Rogério Carvalho (PT-SE) apresentou voto em separado pedindo a rejeição da PEC. Segundo ele, alterar a natureza jurídica do Banco Central pode gerar questionamentos constitucionais e comprometer a segurança jurídica da instituição.

Outro ponto que provoca debate envolve os servidores da autarquia. Pelo texto, funcionários deixariam de seguir o regime único da União e passariam a atuar como empregados públicos sob regras da CLT, medida criticada por representantes da categoria.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tem defendido a proposta e argumenta que a falta de recursos compromete atividades de fiscalização e supervisão do sistema financeiro. Segundo ele, a redução do quadro de servidores pode afetar a capacidade operacional do órgão nos próximos anos.

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