O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes suspendeu ontem (13) por 90 dias as visitas do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após a divulgação, no último sábado (11), de uma carta escrita pelo ex-presidente e lida pelo senador durante uma live nas redes sociais.
Na decisão, Moraes entendeu que a divulgação violou a proibição imposta a Bolsonaro de utilizar redes sociais, “diretamente ou por intermédio de terceiros”, e caracterizou desvio de finalidade do direito de visita. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar humanitária após condenação no caso da suposta “trama golpista”.
Apesar do entendimento adotado contra Flávio, Moraes não tomou qualquer medida contra a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que também publicou cartas escritas por Jair nas redes sociais.
Em fevereiro, Michelle divulgou uma carta do ex-presidente em comemoração aos 18 anos de casamento do casal. Em março, também publicou outro texto em que Bolsonaro oficializava apoio ao deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) para o Senado por Mato Grosso do Sul e fazia um apelo público para que cessassem as críticas internas da direita contra ela e outros aliados.
Além de suspender as visitas, Moraes deu prazo de 48h para que a defesa de Bolsonaro informe se o ex-presidente tinha conhecimento prévio da divulgação da carta por Flávio. Também encaminhou cópias da decisão e dos vídeos ao procurador-geral eleitoral para análise de eventuais providências.
Com a decisão, Flávio ficará impedido de visitar o pai até, pelo menos, 11 de outubro, após a realização do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro.