Câmara do Recife barra pedido de impeachment contra João Campos
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Câmara do Recife barra pedido de impeachment contra João Campos

Proposta da oposição foi rejeitada por ampla maioria; autor do requerimento promete recorrer à Justiça e defender abertura de CPI

O pedido foi derrubado por ampla maioria e não alcançou o número mínimo de votos necessário para prosseguir. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

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Por Redação

A Câmara Municipal do Recife rejeitou, nesta terça-feira (3), a abertura de um processo de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB), acusado pela oposição de cometer infrações político-administrativas no episódio envolvendo a alteração do resultado de um concurso público para a Procuradoria-Geral do Município. O pedido foi derrubado por ampla maioria e não alcançou o número mínimo de votos necessário para prosseguir.

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O requerimento, protocolado pelo vereador Eduardo Moura (Novo), precisava do apoio de ao menos 19 dos 37 parlamentares. No entanto, a maioria do plenário votou contra a admissibilidade da denúncia, encerrando o tema na Casa Legislativa. A vereadora Jô Cavalcanti (PSOL) se absteve, e dois vereadores não registraram voto, embora todos estivessem presentes na sessão.

Durante a sessão, a base governista sustentou que não houve crime de responsabilidade nem infração legal por parte do prefeito. O líder do governo na Câmara, Samuel Salazar (MDB), afirmou que o pedido não apresentava fundamento jurídico capaz de justificar a abertura de um processo de impeachment.

Já o vereador Eduardo Moura declarou que a rejeição não encerra o caso. Segundo ele, a oposição avalia ingressar com mandado de segurança para questionar a votação, alegando possíveis falhas no rito, além de defender a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

“Quando se desrespeita o edital de um concurso público, há violação da lei. Isso configura improbidade e crime de responsabilidade. A discussão agora será levada ao Judiciário”, afirmou.

Entenda o caso

O pedido de impeachment teve como base a nomeação de um candidato para uma vaga destinada a pessoas com deficiência (PCD) no concurso da Procuradoria do Município, realizado em 2022 e homologado em 2023. Inicialmente classificado na 63ª colocação na ampla concorrência, o candidato solicitou, anos depois, a reclassificação para a cota PCD, após apresentar laudo médico atestando Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A reclassificação foi acolhida pela administração municipal e resultou na nomeação publicada em dezembro de 2025. A decisão gerou forte reação de entidades de classe e de parlamentares da oposição, sob o argumento de que a mudança teria ocorrido após a homologação definitiva do certame, contrariando o edital e afetando o direito de outro candidato.

Diante da repercussão, a Prefeitura do Recife revogou a nomeação ainda no fim de dezembro, classificando o episódio como uma controvérsia de natureza jurídica.

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