Governador sugere comissão para tratar tarifa com EUA
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), defendeu nesta quarta-feira (9) a criação de uma comissão de parlamentares do Congresso Nacional para abrir diálogo direto com o governo dos Estados Unidos. A proposta foi feita após o anúncio do presidente Donald Trump sobre a imposição de tarifa de 50% a produtos brasileiros. Lula não faria parte da interlocução.
Caiado afirmou que a iniciativa teria como objetivo explicar aos americanos que as declarações do presidente Lula não representam a maioria da população brasileira.
“O que nos cabe fazer diante da gravidade do momento seria a criação de uma Comissão de Parlamentares, da Câmara e do Senado, com a missão de abrir diálogo com o governo americano. E esclarecer ao povo dos Estados Unidos que não confundam declarações do Lula com o pensamento do povo brasileiro”, escreveu em rede social.
O presidente Lula não está fazendo nada fora do script. Pelo contrário, segue à risca o que Hugo Chávez fez na Venezuela, ao afrontar gratuitamente o governo americano.
Lá, ao sofrer represálias como as aplicadas agora ao governo brasileiro, Chávez ressuscitou Bolívar e…
— Ronaldo Caiado (@ronaldocaiado) July 10, 2025
O governador comparou a conduta do petista à do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez. Segundo ele, Lula estaria adotando um modelo semelhante ao de Chávez ao confrontar instituições e os Estados Unidos. “Lá, ao sofrer represálias como as aplicadas agora ao governo brasileiro, Chávez ressuscitou Bolívar e conclamou o enfrentamento aos americanos em nome da soberania e veja o que aconteceu àquele país”, disse.
Caiado também criticou a política externa brasileira e acusou o presidente de se alinhar a regimes autoritários. “Lula já se ajoelhou ao narcotráfico e quer de toda maneira se aliar aos países que são verdadeiras tiranias”, afirmou.
A manifestação acontece após Trump anunciar oficialmente a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Em carta divulgada na rede Truth Social, o ex-presidente dos EUA justificou a decisão com críticas ao STF e ao tratamento judicial dado a Jair Bolsonaro (PL), que chamou de “líder respeitado internacionalmente”.
Trump citou ações do Supremo contra liberdades fundamentais e classificou as decisões como “ordens de censura secretas e ilegais”.
Mais cedo, Lula respondeu às críticas e disse que o Brasil usará a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso, para reagir à medida. Segundo ele, o país “não aceitará ser tutelado por ninguém” e destacou que os EUA mantêm superávit de US$ 410 bilhões na balança comercial com o Brasil nos últimos 15 anos.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também comentou o tema e considerou a decisão injusta, afirmando que trará prejuízos inclusive à economia americana.
Trump ainda prometeu abrir investigação formal contra o Brasil sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, o que pode levar a novas sanções ou ações na OMC.
