Caiado propõe diálogo parlamentar direto com governo Trump - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Caiado propõe diálogo parlamentar direto com governo Trump

Anistia é sua bandeira para 2026

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Governador sugere comissão para tratar tarifa com EUA

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), defendeu nesta quarta-feira (9) a criação de uma comissão de parlamentares do Congresso Nacional para abrir diálogo direto com o governo dos Estados Unidos. A proposta foi feita após o anúncio do presidente Donald Trump sobre a imposição de tarifa de 50% a produtos brasileiros. Lula não faria parte da interlocução.

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Caiado afirmou que a iniciativa teria como objetivo explicar aos americanos que as declarações do presidente Lula não representam a maioria da população brasileira.

“O que nos cabe fazer diante da gravidade do momento seria a criação de uma Comissão de Parlamentares, da Câmara e do Senado, com a missão de abrir diálogo com o governo americano. E esclarecer ao povo dos Estados Unidos que não confundam declarações do Lula com o pensamento do povo brasileiro”, escreveu em rede social.

O governador comparou a conduta do petista à do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez. Segundo ele, Lula estaria adotando um modelo semelhante ao de Chávez ao confrontar instituições e os Estados Unidos. “Lá, ao sofrer represálias como as aplicadas agora ao governo brasileiro, Chávez ressuscitou Bolívar e conclamou o enfrentamento aos americanos em nome da soberania e veja o que aconteceu àquele país”, disse.

Caiado também criticou a política externa brasileira e acusou o presidente de se alinhar a regimes autoritários. “Lula já se ajoelhou ao narcotráfico e quer de toda maneira se aliar aos países que são verdadeiras tiranias”, afirmou.

A manifestação acontece após Trump anunciar oficialmente a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Em carta divulgada na rede Truth Social, o ex-presidente dos EUA justificou a decisão com críticas ao STF e ao tratamento judicial dado a Jair Bolsonaro (PL), que chamou de “líder respeitado internacionalmente”.

Trump citou ações do Supremo contra liberdades fundamentais e classificou as decisões como “ordens de censura secretas e ilegais”.

Mais cedo, Lula respondeu às críticas e disse que o Brasil usará a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso, para reagir à medida. Segundo ele, o país “não aceitará ser tutelado por ninguém” e destacou que os EUA mantêm superávit de US$ 410 bilhões na balança comercial com o Brasil nos últimos 15 anos.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também comentou o tema e considerou a decisão injusta, afirmando que trará prejuízos inclusive à economia americana.

Trump ainda prometeu abrir investigação formal contra o Brasil sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, o que pode levar a novas sanções ou ações na OMC.

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