Há meses que países do mundo, pequenos, médios e grandes, lidam com a dura política tarifária imposta pelo governo de Donald Trump; os EUA, inclusive! Para o presidente americano, a estratégia é o caminho mais rápido para recompor a balança comercial, fortalecer o dólar e reconfigurar o tabuleiro geopolítico diante da ascensão indecente da China, conhecida por sua agressividade e imoralidade nas relações comerciais.
Nada do que acontece agora deveria ser surpresa, como alega a mídia mainstream. Notório negociador, Trump nunca escondeu o que faria e vem cumprindo à risca suas promessas de campanha. Lula, por outro lado, passou as eleições e metade do mandato falando em defesa da democracia e prometendo cerveja e picanha ao trabalhador, mas sem apresentar um plano econômico consistente.
Para piorar, a reação pessoal e institucional ao anúncio de tarifas de 50% ao Brasil demonstra que o petista não está interessado em soluções. Ao contrário, parece perseguir o conflito para justificar um fechamento ainda maior do regime, também do ponto de vista econômico e comercial.
POSTURA IRREDUTÍVEL
Explico: todos os países, em menor ou maior grau, buscaram renegociar as novas condições anunciadas por Trump há vários meses. Apesar do cenário desafiador, a interlocução resultou em recursos totais ou parciais. Em alguns casos, como no da Argentina, terminou em acordos vantajosos. Dias atrás, a Índia conseguiu condições bastante favoráveis.
Mesmo em situações de tensão geopolítica, como com Canadá, México e União Europeia, ninguém deixou de abrir conversas técnicas e de alto nível político com os EUA. Nem mesmo a China! Então, o que justifica a postura irredutível de Lula? Não adianta alegar que as condições impostas por Trump a Lula são inegociáveis, de natureza estritamente jurídica; pois nenhuma negociação hoje é puramente econômica ou comercial.
DEPENDÊNCIA CHINESA
Num contexto global de disputa cada vez mais acirrada por recursos estratégicos, um governo verdadeiramente soberano deve ponderar sobre diferentes fatores antes de firmar uma parceria. Crises devem servir como oportunidades para ampliar a diversificação comercial e, na medida do possível, criar condições de desenvolvimento das próprias capacidades nacionais, reduzindo a dependência externa.
Afinal, qual tipo de presidente permite que relações comerciais afetem a segurança alimentar e sanitária de seu próprio povo? Ou que incentivem a desindustrialização e a exportação de cérebros e de postos de trabalho?
Óbvio que, sem energia acessível e segura para o desenvolvimento interno, diversificando fontes e players, não há chances de concorrência real, nem de sobrevivência! Um governo soberano tampouco pode abrir mão de investir em proteção de dados sensíveis e em capacidades militar e tecnológica de dissuasão.
O que se vê, porém, é uma submissão cada vez maior ao projeto de poder chinês!
PREÇO ALTO
Desde o tapetão jurídico do Supremo que o reconduziu à Presidência, Lula governa para os radicais que acamparam em frente a Polícia Federal durante os 580 dias de prisão. Seu núcleo de governo é formado por petistas que o visitavam na cadeia. Seus gestos, sua retórica, são contra o establishment que ele ajudou a enriquecer em seus dois primeiros mandatos, mas que largou sua mão na Lava Jato.
Taxações draconianas miram quebrar setores econômicos e empobrecer o eleitorado que não lhe deu votos. No fundo, Lula nem é grato ao Supremo, pois sua reabilitação política é compreendida pelo núcleo petista como plano de contingência contra um segundo mandato de Jair Bolsonaro.
No fundo, o petista sabe que a tecnocracia e o financismo desejam trocá-lo em 2026, por isso recorre à China, que, nos últimos anos, cooptou agentes públicos, políticos e empresários. Lula parece ter se convencido de que fechar o regime é o único caminho para se manter no poder; macaqueando Fidel Castro em sua aliança com a URSS na Guerra Fria. Como no caso cubano, esse apoio não é gratuito.
Isso explicaria a ânsia com que o subpresidente brasileiro entrega aos chineses projetos estratégicos de mineração, infraestrutura e agropecuária, sem qualquer transparência e em negociações longe dos olhos da sociedade. Força a barra para trocar o Swift pelo CPIS, o sistema de pagamento chinês; e está disposto a desconectar o Brasil do GPS. Defender um comércio sem dólar não é provocação. O viralatismo é método.
