O Banco Regional de Brasília (BRB), envolvido com o Banco Master, deve apresentar até sexta-feira (06) ao Banco Central (BC) um plano para reforçar pelo menos R$ 2,6 bilhões em seus balanços.
O diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, afirmou à Polícia Federal, no ano passado, que as perdas podem superar esse valor, incluindo provisões para carteiras de crédito podres do Master e ativos trocados pelo banco de Daniel Vorcaro que podem valer menos que o previsto.
Já o balanço de 2025 do BRB, com prazo até 31 de março, deverá detalhar os resultados da instituição. O relatório é obrigatório para empresas listadas em bolsa e divulga suas demonstrações financeiras.
O BRB comprou R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado do Master, originadas por uma empresa de fachada chamada Tirreno, segundo a Polícia Federal (PF). Após identificar problemas, o banco trocou os ativos por outros do Master, que também podem apresentar irregularidades ou valor inferior ao esperado.
O atual presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, decidiu vender toda a carteira do Master, avaliada em R$ 21,9 bilhões, que inclui carteiras de atacado, pessoas físicas e fundos de investimento.
Nesta quarta (04), Souza negocia os ativos em São Paulo, na região da Faria Lima, incluindo fundos de investimento, imóveis e um terreno na Marginal Pinheiros, próximo à Casa Fasano e ao Cidade Jardim.
Além da venda, o BRB elabora um plano de capital que prevê alternativas como a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) e empréstimos junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
De acordo com Souza, que concedeu entrevista ao Metrópoles, caso a venda da carteira seja concluída, o banco não precisará de aporte do governo do DF, embora essa opção também esteja considerada.
No ano passado, o BRB tentou adquirir o Master, mas a operação foi barrada pelo Banco Central. A Polícia Federal investiga suspeita de fraude na venda das carteiras de crédito falsas. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou à PF que a maior parte dos ativos foi recuperada, mas cerca de R$ 2 bilhões permanecem irrecuperáveis.
A nova direção do BRB busca recursos para cobrir os prejuízos relacionados às carteiras fraudulentas de Vorcaro.
