BRB negocia venda de carteira de quase R$ 1 bi com bancos após prejuízos com Master
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Economia

BRB negocia venda de carteira de quase R$ 1 bi com bancos após prejuízos com Master

BRB negocia venda de carteira de quase R$ 1 bi com bancos após prejuízos com Master
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

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Por Redação

Operação do BRB envolve créditos a Estados e municípios e depende de aval do Tesouro

O Banco de Brasília (BRB) negocia a venda de uma carteira de empréstimos a Estados e municípios, de quase R$ 1 bilhão e com garantia da União, para Itaú e Bradesco. O banco estatal busca levantar recursos para cobrir possíveis prejuízos com a compra de ativos “podres” do Banco Master, de Daniel Vorcaro.

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A negociação, revelada ao jornal O Estadão, integra a estratégia de recomposição de capital do banco, que também avalia um possível aporte do governo do DF.

Ao Estadão, o BRB afirmou que operações de cessão de carteiras são comuns no mercado financeiro e que todas as medidas em análise, incluindo essa, “integram a gestão responsável do BRB, alinhada às normas do Banco Central e às melhores práticas de mercado”.

O banco possui R$ 940 milhões em empréstimos garantidos pela União e tenta transferir três contratos que somam R$ 900 milhões, firmados com os governos de Pernambuco e do Pará e com a prefeitura de Maceió. Esses contratos têm longo prazo e baixo risco, já que, em caso de inadimplência, a União cobre os valores com recursos do Tesouro.

Mesmo assim, o BRB busca reforçar rapidamente o caixa por meio da venda dos créditos. Em 5 de janeiro, o banco enviou ofício ao Tesouro consultando sobre a cessão dos empréstimos. Como avalista das operações, o órgão precisa autorizar a transação.

Pela proposta em negociação pelo BRB, Itaú e Bradesco comprariam a carteira em conjunto, com participação de 50% para cada instituição. O banco estatal reiterou ao Estadão que a cessão de carteiras serve “para otimizar capital, reduzir riscos e reforçar liquidez, conforme amplamente reconhecido no setor”, e que todas as medidas seguem “as melhores práticas de mercado”.

No ano passado, o BRB tentou comprar o Master, operação barrada pelo Banco Central (BC) e investigada pela Polícia Federal (PF). As apurações indicam suspeita de fraude na venda de R$ 12,2 bi em carteiras de crédito falsas adquiridas pelo banco público durante as negociações com a instituição de Vorcaro.

Em acareação no STF, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa afirmou que a maior parte desses ativos foi trocada, mas cerca de R$ 2 bilhões não foram recuperados.

O aporte do governo do DF é uma das alternativas estudadas para socorrer o banco. Na segunda (19), o BRB informou que avalia mecanismos para iniciar a venda dos ativos recuperados junto ao Master.

O banco estatal também analisa outras medidas, como a transferência de empréstimos a Estados e municípios para outras instituições, a venda de CCBs, CRIs e de outras carteiras, vinculadas ou não ao Banco Master.

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