Grupo integrado à flotilha Global Sumud desembarcou em Guarulhos após ser deportado
Os 13 brasileiros — cinco mulheres e oito homens — que haviam sido detidos por forças israelenses durante uma missão humanitária à Faixa de Gaza, desembarcaram nesta quinta-feira (9) no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), após quase uma semana sob custódia. Na ocasião, foram recebidos por familiares, apoiadores e parlamentares.
O grupo integrava a flotilha internacional Global Sumud, composta por mais de 40 embarcações e cerca de 420 ativistas de diversas nacionalidades. A iniciativa tinha caráter pacífico e visava levar ajuda humanitária à população de Gaza, rompendo simbolicamente o bloqueio imposto à região. A missão foi interceptada por militares do Estado de Israel em águas internacionais, no dia 1º de outubro.
Entre os brasileiros estavam a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), a vereadora Mariana Conti (PSOL-SP), o ativista Thiago Ávila, e o presidente do Fórum Latino-Palestino, Mohamad El Kadri. Eles foram levados ao presídio de Ketziot, em território israelense, e posteriormente deportados para a Jordânia. Após uma escala em Doha, no Catar, embarcaram para o Brasil, onde chegaram por volta das 10h (horário de Brasília).
Em coletiva de imprensa concedida após a chegada, Luizianne comentou sobre as dificuldades enfrentadas pelo grupo e relacionou a experiência ao sofrimento do povo palestino.
“A gente tem certeza que essas dificuldades que enfrentamos não chegam nem próximo ao que povo palestino vem sofrendo”, afirmou a parlamentar.
Já Ávila destacou o simbolismo do anúncio do cessar-fogo.
“Não tem nada mais importante que isso nesse momento. E essa é uma vitória, não nossa. Essa é uma vitória do povo palestino”, afirmou.
A fala faz referência ao acordo anunciado na noite de quarta-feira (8) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), em que Israel e o Hamas assinaram a primeira fase de um plano de paz.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil destacou a colaboração do governo da Jordânia no apoio ao processo de entrada dos brasileiros em território jordaniano. Segundo a Pasta, a libertação foi resultado de negociações diplomáticas conduzidas pela Embaixada do Brasil em Tel Aviv, com o suporte da representação em Amã.
“O Brasil conclama a comunidade internacional a exigir de Israel a cessação do bloqueio à Gaza, por constituir grave violação ao direito internacional humanitário”, disse a Pasta.
