Brasil condena repressão no Irã, mas se abstém em votação na ONU
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Brasil condena repressão no Irã, mas se abstém em votação na ONU

País critica uso de força contra manifestantes, porém não apoia extensão de investigação internacional

Brasil condena repressão do regime iraniano contra protestos, mas se abstém de resolução da ONU que amplia investigação sobre violações de direitos humanos
Foto: Reprodução

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Por Redação

A representação do Brasil no Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas condenou, hoje (23), a repressão do regime do Irã contra manifestantes. Foi a primeira manifestação formal da diplomacia brasileira contra o uso de força desde o início da atual onda de protestos no país persa, em dezembro.

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Durante a sessão em Genebra, o embaixador Tovar da Silva Nunes afirmou que o Brasil “condena fortemente o uso de força letal contra manifestantes pacíficos” e manifestou preocupação com relatos de prisões arbitrárias, crianças como alvo da repressão e bloqueios de internet, que, segundo ele, violam a liberdade de expressão e o acesso à informação.

Apesar da declaração, o Brasil se absteve na votação de uma resolução apresentada por países críticos do regime iraniano, como Alemanha, Reino Unido, Islândia, Macedônia do Norte e Moldova. O texto propunha a prorrogação das investigações independentes sobre possíveis violações de direitos humanos no Irã. A medida foi aprovada por 25 votos a favor, 7 contra e 14 abstenções.

O posicionamento segue a linha adotada pelo Itamaraty em temas relacionados ao Irã. Na justificativa do voto, o embaixador brasileiro afirmou que “apenas o povo iraniano tem o direito soberano de determinar o futuro do país” e reiterou a oposição do Brasil a “medidas unilaterais coercitivas” contra Teerã.

Segundo o diplomata, sanções e pressões externas “impactam negativamente os direitos humanos da população” e agravam dificuldades econômicas, apontadas como pano de fundo das manifestações.

A sessão extraordinária do conselho foi convocada com apoio de cerca de 50 países, diante de relatos de repressão violenta e violações de direitos humanos em várias cidades iranianas. O alto-comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, pediu o fim da repressão e classificou a resposta do regime como um padrão de “força esmagadora”.

O representante do Irã criticou a reunião e afirmou que os patrocinadores da iniciativa “nunca se importaram genuinamente com os direitos humanos dos iranianos”, atribuindo as críticas a interesses políticos e a sanções impostas ao país.

Na quarta-feira (21), o regime iraniano divulgou um balanço oficial de cerca de 3.000 mortos e afirmou que os protestos foram controlados. Organizações internacionais de direitos humanos estimam números superiores e relatam detenções em massa, apagões de internet e forte presença de forças de segurança.

A resolução aprovada pelo Conselho de Direitos Humanos busca estender por dois anos o mandato da investigação criada em 2022, após a onda anterior de protestos no Irã.

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