O ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta terça-feira (25), que o tenente-coronel Mauro Cid foi torturado para firmar delação premiada no inquérito que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado. Em entrevista ao jornalista Léo Dias, Bolsonaro disse que não julga Cid e que entende sua posição diante das pressões da investigação.
“Ele foi torturado. O vídeo, se você ver, o que é pela lei uma delação premiada? Você começa a firmar a sua qualificação e termina a filmagem quando está encerrado. Meus advogados pediram todos os vídeos do começo ao fim, sem cortes. Em todos esses vídeos, você vê o ‘dono do inquérito’ falando: ‘Você tem um pai, uma mãe, uma filha’, tortura, tortura psicológica”, afirmou o ex-presidente.
Bolsonaro garantiu que não conversa com Cid desde o fim de 2022.
“A última vez que falei com ele foi quando fomos para os Estados Unidos, 30 de dezembro. Acho que depois não falei mais com ele”, declarou.
Ao comentar os áudios de Cid revelados na denúncia da PGR, em que o militar discute um suposto plano para impedir a posse de Lula, Bolsonaro minimizou as falas e atribuiu a Cid um “excesso de iniciativa”.
“O Cid cresceu muito, todo mundo ligava para ele. Apelidei o telefone dele de ‘muro das lamentações’, e eu acho que ele se empolgou com essas missões. Ele tinha um excesso de iniciativa, às vezes queria resolver as coisas sem falar com as pessoas adequadas, mas tudo de boa-fé”, disse Bolsonaro.
A defesa do ex-presidente tem questionado a legalidade da delação de Mauro Cid e a condução do inquérito pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).