Bolsonaro acompanha audiência que ouve testemunhas do 8 de janeiro - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Bolsonaro acompanha audiência que ouve testemunhas do 8 de janeiro

Moraes mantém acesso irrestrito de médicos a Bolsonaro
Foto: Alan Santos/PR

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) acompanha por videoconferência a audiência que colhe depoimentos de cinco testemunhas de acusação no processo sobre o suposto plano de golpe em 8 de janeiro, que acontecce nesta segunda-feira (19) no STF.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) alega que Bolsonaro e sete aliados articularam um “golpe de Estado”. Embora fotografias e gravações sejam proibidas, a equipe deste site atualiza os desdobramentos em tempo real.
As testemunhas, apontadas como parte do “núcleo 1”, incluem:
  • Éder Lindsay Magalhães Balbino, empresário acusado de elaborar um dossiê falso sobre fraudes nas urnas, que negou reuniões com o Instituto Voto Legal e contato com Walter Braga Netto ou Anderson Torres;
  • Clebson Ferreira de Paula Vieira, analista de inteligência do Ministério da Justiça, responsável por um levantamento de municípios com alta votação para Lula e Bolsonaro em 2022;
  • Adiel Pereira Alcântara, ex-coordenador de inteligência da PRF, que teria dificultado o deslocamento de eleitores no segundo turno;
  • Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, e
  • Carlos de Almeida Baptista Júnior, ex-comandante da Aeronáutica, ambos supostamente pressionados a apoiar a trama.

Em depoimento por vídeo conferência, Éder Lindsay Magalhães Balbino negou reuniões com o presidente do Instituto Voto Legal (IVL), a participação na produção de relatórios sobre urnas e qualquer contato com Walter Braga Netto ou Anderson Torres.

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Já Clebson Ferreira de Paula Vieira afirmou que Marília Ferreira de Alencar, ex-diretora de Inteligência na gestão Torres – não era sua superior direta, mas lhe passou duas demandas sem envolver seu chefe: uma análise de votos dando 75% dos votos a Bolsonaro e um painel simples de distribuição de efetivo da PRF para possíveis decisões futuras. “Estávamos preocupados com conflitos entre os dois pólos”, declarou.

Ele relatou que cruzaram dados das urnas na área do Centro de Comando e Controle (CV) para análise estatística, mas os resultados foram inconclusivos. Vieira também negou uma suposta reunião com Anderson Torres, afirmando que nunca teve contato com ele e que todas as interações foram com Marília.

Ex-comandante do exército nega ter mandado prender Bolsonaro

O general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, declarou que jamais deu voz de prisão ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), refutando depoimento do brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior à Polícia Federal.

Baptista Júnior alegou que Freire Gomes ameaçou prender Bolsonaro por sugerir um golpe de Estado ou a decretação da Garantia da Lei e Ordem (GLO) fora dos limites constitucionais.

Na primeira audiência das testemunhas de acusação do chamado “núcleo 1” da suposta trama golpista, Freire Gomes negou a versão do ex-chefe da Aeronáutica. “A mídia relatou que eu teria dado voz de prisão ao presidente, mas isso não ocorreu de forma alguma. Houve uma má interpretação”, afirmou.

Ele admitiu que alertou Bolsonaro sobre as consequências jurídicas de ações inconstitucionais, como uma GLO ou intervenção, enfatizando que tais medidas não teriam apoio militar e poderiam enquadrá-lo legalmente.

Tempo quente 

Durante a fala, o ex-comandante foi repreendido por Alexandre de Moraes. O ministro disse que viu contradições no depoimento que Freire Gomes estava dando ao STF em relação ao que deu à PF e afirmou que como testemunha, Freire não pode apresentar versões contraditórias.

Moares também destacou as consequências de mentir em depoimento. O general negou ter dado voz de prisão a Bolsonaro nos momentos que antecederam a posse de Lula. O ministro enfatizou que incongruências entre os depoimentos não serão toleradas.

Sem registros da imprensa

O partido Novo acionou o STF para pedir o acesso da imprensa às audiências sobre a tentativa de golpe de Estado e permitir a gravação e a reprodução dos depoimentos de testemunhas do caso.

 

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