Bill Gates rompe com agenda climática apocalíptica
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Bill Gates rompe com agenda climática apocalíptica

Bill Gates rompe com agenda climática apocalíptica
Foto: Divulgação/Gates Ventures

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Por Gianlucca Gattai

Jornalista político e assuntos internacionais.

Gates afirma que alarmismo climático desvia recursos de ações mais eficazes e defende foco em pobreza, saúde e adaptação

As mudanças climáticas “não levarão à extinção da humanidade”. É o que defende agora o bilionário Bill Gates, fundador da Microsoft, que se posicionou como um ferrenho ativista ambiental nos últimos anos.

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Em ensaio divulgado recentemente, Gates afirmou que “a perspectiva catastrófica está fazendo com que grande parte da comunidade climática se concentre demais em metas de emissões de curto prazo, desviando recursos de ações mais eficazes que deveríamos realizar para melhorar a vida em um mundo em aquecimento”.

“As mudanças climáticas não são a maior ameaça à vida e aos meios de subsistência das pessoas em países pobres, e não serão no futuro”, escreveu Gates no relatório intitulado Three Hard Truths About Climate Change (“Três Verdades Difíceis Sobre o Clima”).

O bilionário também aponta que “ainda não é tarde para adotar uma visão diferente e ajustar nossas estratégias para lidar com as mudanças climáticas”. Ele também mencionou a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em Belém, no Pará, entre 10 e 21 de novembro de 2025.

“Esta é uma oportunidade de nos concentrarmos em métricas que deveriam importar ainda mais do que as emissões e as mudanças de temperatura: melhorar vidas. Nosso principal objetivo deve ser reduzir o sofrimento, especialmente daqueles que vivem nas condições mais difíceis e nos países mais pobres do mundo”, continuou o empresário.

“Embora as mudanças climáticas afetem os mais pobres mais do que qualquer outra pessoa, para a grande maioria delas não serão a única nem a maior ameaça à sua vida e bem-estar. Os maiores problemas são a pobreza e as doenças, como sempre foram. Compreender isso nos permitirá concentrar nossos recursos limitados em intervenções que terão o maior impacto para as pessoas mais vulneráveis”, disse Gates.

O bilionário também reconheceu que “alguns defensores do clima discordarão de minha interpretação e me chamarão de ‘hipócrita’ devido à minha pegada de carbono — que faço questão de destacar que compenso totalmente com créditos de carbono legítimos — ou enxergarão o relatório como uma maneira de argumentar, de forma sorrateira, que não devemos levar as mudanças climáticas a sério”.

“Para ficar claro: a mudança climática é um problema muito importante. Precisa ser resolvido, assim como outros problemas como a malária e a desnutrição. Cada décimo de grau de aquecimento que evitamos é extremamente benéfico, pois um clima estável facilita a melhoria da vida das pessoas”, salientou.

Ele também afirmou que “às vezes, o mundo age como se qualquer esforço para combater as mudanças climáticas valesse tanto quanto qualquer outro” e que “como resultado, projetos menos eficazes estão desviando dinheiro e atenção de esforços que terão maior impacto na condição humana: ou seja, tornar acessível a eliminação de todas as emissões de gases de efeito estufa e reduzir a pobreza extrema com melhorias na agricultura e na saúde”.

“Em resumo, mudanças climáticas, doenças e pobreza são problemas graves. Devemos enfrentá-los na proporção do sofrimento que causam. E devemos usar dados para maximizar o impacto de cada ação que tomamos”, concluiu.

*Clique aqui para acessar o ensaio completo de Gates: bill-gates-three-tough-truths-about-climate

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