Banco Central (bc) trabalha sem o horizonte eleitoral
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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BC trabalha sem horizonte eleitoral

Edifício-Sede do Banco Central em Brasília

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Por Leonardo Barreto

Cientista Político

Em um texto anterior, especulei sobre a dificuldade que o governo encontrará em 2026 ao entrar no ano eleitoral com a receita de juros altos e consequente desaceleração econômica sendo aplicada. 

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Trata-se de um cenário que qualquer político tenta evitar a todo custo. Por isso a dinâmica tradicional é apertar os cintos na primeira metade do mandato para soltar as rédeas no final.

Nesse sentido, o foco do governo está no Banco Central (BC). E o sinal que veio de lá foi que não é possível determinar prazo para o início do alívio da Selic.

Fazendo uma tradução política do relatório, o COPOM alerta que a redução do ritmo de crescimento tem sido moderada.

O crédito de longo prazo é o que tem caído mais, enquanto o crédito emergencial tem ganhado mais espaço, mostrando que o brasileiro está mais endividado e vivendo mais “da mão para a boca”.

A aquisição de bens duráveis, mais ligados ao crédito de longo prazo, está em baixa e a compra de produtos e serviços mais relacionados à renda seguem com um ritmo melhor.

Os sinais trocados mostram o funcionamento dessa geringonça brasileira na qual o governo, por meio da política fiscal, rema para um lado, e a política monetária restritiva rema para o outro.

Um experiente analista de mercado disse-me que o recado mais duro na ata é de que o BC pode voltar a subir juros se necessário. Está lá também o desconforto pelo fato de o governo demonstrar “esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal” e estar aumentando o “crédito direcionado” e gerando incertezas quanto “à estabilização da dívida pública”.

Considerando que, tecnicamente, o BC não tem horizonte eleitoral, a questão é saber o que o governo fará politicamente.

Há três cenários à frente:

  • 1. Pressão política para o BC iniciar uma redução, algo na linha do que o ministro Fernando Haddad colocou em entrevista ontem:
  • “Se você me perguntar: você acha justificável o juro estar nesse patamar? Eu acredito que não. Eu entendo que tem espaço para esse juro cair, eu acredito que nem deveria estar em 15%”.
  • 2. Compensar o aperto monetário com mais gastos fiscais, incentivos do governo ao consumo, políticas distributivas e crédito direcionado (acompanhado de esforços de arrecadação).
  • 3. Fazer as duas coisas.

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